Todd Solondz é um diretor de filmes bacanas. Ele por exemplo fez "Bem Vindo a Casa de Bonecas" e "Felicidade", só pra citar dois.
O seu problema é que ele se repete, é meio que um "samba de uma nota só", quase que um Woody Allen de New Jersey, o cara que faz o mesmo filme de novo e de novo, só mudam os personagens e as vezes um pouco a história. Mas no geral, é sempre a mesma coisa.
Pedofilia, sexo familiar, bizarrices, gente feia, gente doida, gente feia e doida, perversões, repetições, tudo igual-de-novo-agora-também.
Nesse "A Vida Durante A Guerra" muda a época e continua a família, onde irmãs procuram o amor entre bizarrices sexuais, desencontros, loucuras, doideiras e histórias que se entrelaçam.
Pois é, de novo, só muda o cenário dessa vez.
Um ponto positivo é que ele é sim um bom diretor de ator, e deve ser relativamente fácil pra ele conseguir elenco bom, porque é sempre o que se destaca em seus filmes. Neste, além dos ótimos Allison Jenney, Ciaran Hinds, Ally Sheedy, tem o grande Pee Wee Herman, ou Paul Reubens, obviamente como um ... Sem spoilers.
Se as opções pro final de semana terminarem, assista esse, mas garanto que não vai mudar sua vida.
Em todos os meus posts mais antigos aqui do blog sobre filmes do Woody Allen, eu sempre começava escrevendo que apesar dos pesares, um filme dele é sempre muito melhor que a maioria das porcarias que passam no cinema.
Mas eu acho que com esse "... Homem dos seus Sonhos" eu paro de dizer isso, porque é uma porcaria e não é nada melhor que muitas das outras porcarias em cartaz.
O filme segue a linha dos últimos do Allen, filmado em Londres (porque ele não consegue dinheiro pra filmar nos EUA), com um elenco (olhe no poster acima) sempre bom (geralmente seus filmes ganham Oscar de melhor atriz coadjuvante), com uma historinha meio besta, direção de fotografia boa, trilha ok, Woody chegou numa época de preguiça que me deixa triste.
Nesse filme, um casal se separa depois de muitos anos casados, ele vai atrás de uma loira linda e burra e ela atrás de uma cartomante pra saber o que vai ser da vida. Sua filha casada em crise com o marido fica atraída pelo seu chefe e seu marido, que não ganha bem e não pode provê-la, é deixado de lado e se sente atraído por uma morena linda.
E basicamente é isso por quase 2 horas, nada demais, parece uma novelinha classe A com piadas (poucas) boas.
Juro que eu espero que o cara saia dessa maré chata e faça um "Tiros na Broadway" pra nos deixar felizes.
"You Will Meet A Tall Dark Stranger".
O mesmo Allen tudo de novo? Bom? O de sempre?
Pelo menos o elenco, pra variar, é ótimo.
Aguardemos.
Difícil um cineasta que filma tanto quanto Almodovar (ou como Woody Allen) acertar em todo filme, fazer sempre obras primas.
A gente vê isso até no Hitchcock que às vezes fez uns filmes quem ninguém acreditava que eram dele.
Esse "Abraços Partidos" é um desses casos de filme menor ou como preferem os amantes do espanhol, um filme de crise. Mas como qualquer coisa que Almodovar faça é melhor do que quase tudo lançado em 1 ano de cinema, vale assistir.
O filme conta a história de amor de um cineasta por uma atriz, onde a paixão faz com quem ambos se percam e alheios a tudo e a todos, assumem o amor.
Almodovar nunca foi o mais sutil dos diretores e dessa vez não nega e faz com que o diretor fique cego (não de paixão, mas literalmente). Hoje, mês e meio depois de eu ter visto o filme e escrevendo aqui, acho engraçado, mas na hora, hmm, foi difícil engolir o literal jogado na cara.
Outra coisa que faz desse filme um da crise, é o roteiro quase óbvio, onde as surpresas não as são.
Mas duas coisas salvam muito o filme.
Penélope Cruz é a mulher de um milionário que quer ser atriz e por ela este resolve bancar um filme, onde ela acaba se apaixonando pelo tal do diretor. Só que o milionário tem um filho metido a diretor que acaba fazendo o making of do filme numa tentativa do velho ricaço vigiar a mulher. As imagens que o homem assistem não tem áudio e pra ele saber o que acontece, contrata uma leitora de lábios que vai dublando sua esposa. O clima de tensão vai aumentando enquanto vai aumentando sua paixão pelo diretor. As cenas do velho em casa assistindo ao filme dublado são lindas, a melhor coisa do filme com um ápice genial no melhor momento da Penélope no filme.
(Tá, vou ser xingado até a morte, mas eu não gosto da Penélope, acho ela fraquinha e acho que o Almodovar deve sofrer com ela pra conseguir alguma coisa boa. Além de "Volver" e de "Vicky Cristina Barcelona" o resto de seu trabalho é de uma média bem fraca. E nesse "Abraços Partidos" ela tenta, tenta, mas morre na praia).
Bom, a outra parte memorável do filme é o final, numa surpreendente auto homenagem: Almodovar meio que recria a alma de "Muheres A Beira de Um Ataque de Nervos" no filme perdido do diretor cego e a nostalgia de seus filmes coloridos e anfetaminados dos anos 90´s. Foi de chorar de felicidade e de saudade.

Pois é, o canadense Bruce LaBruce é um dos diretores mais cultuados do cinema mundial. Faz pornô mas ao mesmo tempo faz arte. Seus filmes são de sexo explícito mas não só. Aquele "sonho" que muita gente tem de filme de sacanagem com historinha, ele faz. Claro que tem muita sacanagem, gay, aliás, mas tem historinha também. Mas não qualquer historinha, sempre alguma coisa bizarra, estranha, diferente e por aí vai.
Seu mais recente petardo é esse "Otto, Or Up With Dead People". O filme conta uma história num futuro não muito distante onde zumbis começam a aparecer com uma certa frequência e são aceitos pela sociedade, passando a conviver com os vivos. O Otto do título é um zumbi quase emo que é escalado pra participar de um filme de uma diretora malucona e aos poucos vai se lembrando de coisas de quando ele era vivo, inclusive que ele era gay e que trabalhava num açougue!
O interessante do filme é principalmente o ritmo, um filme que os supostos filmes de arte de vanguarda deveriam ter na minha opinião. Por isso ele fica mais "parecido" com um filme comercial, apesar de todas as suas "doidices".
Uma cena já é clássica desse filme, claro que uma cena de sexo, entre um zumbi e um humano que ele acabou de morder e transformar. A hora que o zumbi vai "comer" o humano é absurdamente boa! Claro que não vou contar pra não estragar a surpresa, porque espero que você que está lendo baixe o filme, o que eu fiz pelo torrent, achei bem fácil.
Esse filme foi financiado por alemães, filmado na Alemanha, e é meio que esse caminho que diretores mais alternativos do hesmifério norte encontram para realizarem seus trabalhos, leia-se David Lynch e Woody Allen, só pra lembrar do suposto main-stream. Mas Bruce LaBruce não desiste, filma mesmo que sem dinheiro, em 16mm, com amigos e não pára.
La Bruce declarou recentemente que o futuro do pornô gay são os filmes de zumbi e por isso ele já está realizando seu próximo filme na áres, mas agora com dois astros gays, Tony Ward e François Sagat. Aguardo ansioso!

Tá bom, o Mike Leigh não é um gênio gênio. Ele é um desses cineastas velhinhos que fazem filmes tão bons que eu sempre saio do cinema aliviado, com a sensação de "que bom que tem alguém fazendo isso".
Seu mais recente é "Simplesmente Feliz" e o filme é o cúmulo do otimismo. Conta a história de Poppy, uma professora que dá aula pra molecadinha e adora; sai com as amigas e bebe um monte e dança um monte e adora; mora com uma amiga a 10 anos e adora; tem 30 anos de idade, solteira e adora; tem sua bicicleta roubada logo no início do filme e a trata como um filho, diz que chegou a hora de ter vida própria e por isso resolve aprender a dirigir. Entra em cena o instrutor da auto-escola, Scott, seu extremo oposto.
Ela é toda bonitinha, se monta, sempre de bota de salto alto (o que é alvo de muita bronca do instrutor), sempre cheia de pulseiras e colares. Ele é desleixado, com dentes sujos, aparência péssima, mal humorado, fala alto, preconceituoso. E apesar de tudo isso ela continua fazendo suas aulas, se divertindo, rindo muito.
E é assim com todo mundo, sua alegria é contagiante. Ao extremo. Até chegar no ponto das pessoas se sentirem ofendidas por tanta felicidade, como é o caso de sua irmã mais nova, grávida, barriguda, morando no subúrbio, que pergunta a Poppy se ela não estaria feliz em seu lugar e ela responde, sem pensar muito, que não, que gosta da sua vida. E a irmã corre e chora e diz que não precisa jogar na cara. E o filme é bacana demais!
Sally Hawkins é Poppy, a professora feliz. Com esse papel ela ganhou tudo quanto foi prêmio de atuação no último ano, do Festival de Berlin, ao Globo de Ouro, passando por todos os prêmios europeus, e concorreu ao Oscar, mas daí já era demais ela ganhar. Mike Leigh tem uma constante em fazer com que suas atrizes sejam indicadas ao Oscar e ganhem prêmios e mais prêmios, assim como Woody Allen faz com suas coadjuvantes. Eu torcia por ela no Oscar mesmo sem ter visto o filme ainda na época, mas claro que ela não levou. Guardem o nome dela, que com certeza vai ser referência.
E pra terminar, queria só falar ainda de Leigh, o velhinho inglês, que faz ensaios incessantes com seus atores por meses antes de começar a filmar propriamente dito, pra que eles entrem mesmo nos seus personagens, o que deve ter acontecido nesse filme com certeza. Muita gente hoje em dia faz isso com não-atores, o que acaba funcionando, mas ao fazer isso com atores já bons, o resultado está nos filmes de Leigh, que sempre nos presenteia com personagens memoráveis. E no caso desse filme, felizes!
Antes de mais nada, o que me deixou mesmo feliz com essa premiação foi o monte de estatueta que "Quem Quer Ser Milionário" ganhou. Filmaço, como eu já disse no post anterior. Mas umas considerações:
- o fato de "Benjamin Button" não ganhar nenhum prêmio mais, hmmm, relevante, reflete um pouco o que acontece hoje em dia no cinema, onde acho que o povo tá meio cansado de filmão e cinemão mesmo, já que o Oscar é o reflexo direto desse tipo de cinema.
-Sean Penn ganhar e não Mickey Rourke mostra um pouco da caretice dos votantes. Claro que o cara é fodão, claro que ele tá demais no "Milk", mas dar o prêmio a Rourke não seria injusto nem nada, e seria até uma declaração de amor aos recomeços.
-Kate Winslet ganhar pela atuaçaõ quase-boa dela em " O Leitor" só confirma o que eu já escrevi neste post também. Fiquei decepcionado.
-Penelope Cruz, que eu achava fraquinha até o filme do Almodovar, ganhando prêmio de coadjuvante prova que Woody Allen é sim o grande diretor de atrizes do cinema americano de nossos tempos. Geralmente todas as suas atrizes de seus filmes que concorrem ao Oscar de coadjuvantes saem vitoriosas.
-Claro que Heath Ledgerganharia o prêmio pelo Coringa, merecidíssimo. Só não sei o que dizer sobre sua família lá recebendo por ele.
E pra terminar, o que mais gostei da festa, além da cara de blasé da Angelina e do Brad Pitt, foi o número de abertura com o fodão Hugh Jackman:
Claro que um filme do Woody Allen não é um filme ruim. Comparado com o lixo disponível nos cinemas, é um banho de cinema. Mas esse filme que ele rodou na Espanha não me desceu, sinceramente.
Primeiro a história. Duas amigas, Vicky e Cristina, vão passar o verão em Barcelona e ficam hospedadas numa super casa de uma americana rica. Vicky é caretinha, vai se casar em breve e Crisitina é doidinha, cineasta, atriz, fotógrafa, e nnao é nada, perdidinha. As duas se deixam levar pela beleza da cidade catalã e pela beleza de um artista plástico que já chega convidando as duas para um ménage a trois. Claro que a doidinha fica piscando e a outra é que se joga. Mas no final das contas, o bonitão, claro que o fraquinho Javier Barden, tinha uma ex-mulher barraqueira e o caos médio tá formado. Ah, a barraqueira é a Penelope Cruz, uma atriz que eu achava bem fraca e que se mostra cada vez mais uma grande atriz. Nesse filme, ela rouba todas as cenas, sai até do que se espera de um filme de Allen.
O filme foi rodado em Barcelona porque o diretor recebeu proposta de investidores espanhóis para filmar por lá com total liberdade. Como ele não consegue mais dinheiro americano, está indo atrás de novas paragens. Depois de Londres, em seu brilhante filme anterior, Allen agora na Cataluña se deixa levar por demais pela musa Scarlett mas tenho certeza que depois de filmado, quando ele via a montagem, ia pedindo pra tirarrem cenas dela. Ela ou estava com preguiça ou é muito ruim mesmo e já não mostra nenhuma novidade no que faz, nem quando dirigida por um grande diretor. Bonitinha mas ordinária. Já Rebecca Hall, a Vicky do título, quase rouba o filme. Sua personagem é ótima, neurótica na medida certa e pira pelo "calor" de Barcelona. De novo, se não fosse pela brilhante Penélope Cruz, Rebecca teria o filme a seus pés.
Só pra detonar mais um pouco a Scarlett, tudo nela é ruim no filme. O beijo que ela dá em Barden não convence ninguém, dá até vergonha. Ela tirando fotoso com camera digital e Penélope ensinando sobre camera analógica e película, as caras que ela faz, tá doido. Woody é igual o Hitchcock, precisa de umas loiras, mas ele podia tentar outra do próxima filme pra frente, já que será o filme de número 40 dele.
Bom, além disso, uns errinhos de produção me irritaram bastante, como repetir figuração descaradamente, que é feio. Mas o filme é bacana. Agora, a tal cena do beijo da Scarlett com a Penélope, desculpe mr. Allen, mas foi só de tarado que é mesmo, né? O que é muito bom!



