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"Simplesmente Feliz" é também um filme feliz.
31.03.09 11:521 comentário

 

Tá bom, o Mike Leigh não é um gênio gênio. Ele é um desses cineastas velhinhos que fazem filmes tão bons que eu sempre saio do cinema aliviado, com a sensação de "que bom que tem alguém fazendo isso".

 

Seu mais recente é "Simplesmente Feliz" e o filme é o cúmulo do otimismo. Conta a história de Poppy, uma professora que dá aula pra molecadinha e adora; sai com as amigas e bebe um monte e dança um monte e adora; mora com uma amiga a 10 anos e adora; tem 30 anos de idade, solteira e adora; tem sua bicicleta roubada logo no início do filme e a trata como um filho, diz que chegou a hora de ter vida própria e por isso resolve aprender a dirigir. Entra em cena o instrutor da auto-escola, Scott, seu extremo oposto.

 

Ela é toda bonitinha, se monta, sempre de bota de salto alto (o que é alvo de muita bronca do instrutor), sempre cheia de pulseiras e colares. Ele é desleixado, com dentes sujos, aparência péssima, mal humorado, fala alto, preconceituoso. E apesar de tudo isso ela continua fazendo suas aulas, se divertindo, rindo muito.

 

E é assim com todo mundo, sua alegria é contagiante. Ao extremo. Até chegar no ponto das pessoas se sentirem ofendidas por tanta felicidade, como é o caso de sua irmã mais nova, grávida, barriguda, morando no subúrbio, que pergunta a Poppy se ela não estaria feliz em seu lugar e ela responde, sem pensar muito, que não, que gosta da sua vida. E a irmã corre e chora e diz que não precisa jogar na cara. E o filme é bacana demais!

 

Sally Hawkins é Poppy, a professora feliz. Com esse papel ela ganhou tudo quanto foi prêmio de atuação no último ano, do Festival de Berlin, ao Globo de Ouro, passando por todos os prêmios europeus, e concorreu ao Oscar, mas daí já era demais ela ganhar. Mike Leigh tem uma constante em fazer com que suas atrizes sejam indicadas ao Oscar e ganhem prêmios e mais prêmios, assim como Woody Allen faz com suas coadjuvantes. Eu torcia por ela no Oscar mesmo sem ter visto o filme ainda na época, mas claro que ela não levou. Guardem o nome dela, que com certeza vai ser referência.

 

E pra terminar, queria só falar ainda de Leigh, o velhinho inglês, que faz ensaios incessantes com seus atores por meses antes de começar a filmar propriamente dito, pra que eles entrem mesmo nos seus personagens, o que deve ter acontecido nesse filme com certeza. Muita gente hoje em dia faz isso com não-atores, o que acaba funcionando, mas ao fazer isso com atores já bons, o resultado está nos filmes de Leigh, que sempre nos presenteia com personagens memoráveis. E no caso desse filme, felizes!

 

Fabilipo
Fabilipo (fabilipo @ gmail.com)
I am a dj, I am what I play.