Foi divulgado o poster da edição número 64 do Festival de Cinema de Cannes, o ainda mais importante e respeitado de todos.
No poster, Faye Dunaway, numa foto de Jerry Shatzberg de 1970, época que a dirigiu em "Puzzle Of A Downfall Child" (que eu não vi, mas já vou procurar).
Faye foi uma puta atriz importante pro cinema americano com certeza e legal demais Cannes ir atrás dela, no ano que Robert De Niro será o presidente do júri.
Ah, a Patti Smith: em seu livro "Só Gartos, obrigatório) sobre seus anos com Mapplethorp ela fala um monte sobre como Shatzberg influenciou o fotógrafo em seu início.
A grande surpresa do Festival de Berlin de 2010 foi "Sebbe", um pequeno filme sueco sobre um menino de 15 anos sobrevivendo como pode com a mãe carteira e alcoólatra numa fria e pobre cidade de um país rico, sem pieguices nem auto piedade.
Eles moram num apartamento pequeno demais para os 2, sem privacidade, onde um ahora ele vê a mãe se masturbando e outra hora ela o incomoda enquanto ele monta suas experiências.
Tudo isso e muito mais e no meio de tudo, ele ainda sofre bullying na escola onde seu vizinho e amigo de infância virou um idiota que o chama de gay e faz com que ele beije outro moleque.
Mas, no fim, as coisas mudam de uma forma abrupta e aqui me calo.
Só digo que o filme é bem bom, muito bem dirigido e com uma dupla principal, mãe e filho, dando um show.
Recomendo.
Vou tentar contar a história, que é complexa.
Um casal que não pode ter filhos, adota um menino e logo em seguida, engravida. Depois de nascer o então segundo filho, engravida novamente e agora são 3 meninos.
O mais velho tem problemas na escola e sempre fica na sombra do segundo filho, que [e um astro do futebol americano, o galã da escola.
Aos 21 anos, o mais velho sofre um acidente gravíssimo de carro, perde parte do cérebro, enquanto o segundo filho se muda pra São Francisco "fugindo" da família e da cidade natal procurando seu verdadeiro eu.
20 anos depois, eles se reencontram numa reunião de ex-alunos, o mais velho bem lesado e o astro do esporte, um transexual com uma esposa!
A partir de então, os filhos pródigos do título do filme tentam se reconectar, se reaproximar e lavar toda a roupa suja de tantos anos.
O documentário "The Prodigal Sons", sucesso no circuito dos festivais de cinema de 2010, mostra a vida desses irmãos, um tentando se inserir em sua cidadezinha de infäncia enquanto o outro procura sua identidade, tentando saber quem são seus pais biológicos com uma grande surpresa que envolve Orson Welles e uma viagem a Croácia.
Esse é o tipo de filme ou de documentário que eu mais gosto, quando muita reviravolta vai acontecendo enquanto o filme vai sendo feito. Não pára mesmo, sempre te surpreendendo, pro bem e pro mal. Super recomendo.
Ontem a noite saí pra jantar com minha filha antes de ir a pré-estreia do SPTERROR. Enquanto esperava a comida chegar, comecei a ser bombardeado por ligações e sms's dizendo quem Michael Jackson tinha morrido. Difícil de acreditar em princípio, mas a ficha vai caindo aos poucos. Quando ele fez show por aqui em 93, minha ex estava grávida da minha filha e eu chorei ao final do show quando ele cantou a péssima "Heal The World". O amigão Dudu Marote tava comigo e disse que eu só tinha achado bacana porque eu ia ter uma filha logo e por isso eu estava sensível. Hoje eu concordo com ele, claro. E 15 anos depois, eu jantava com a Isabella na hora que soube que o cara tinha sido encontrado morto e o que ela me disse é que só sentia porque não iria vê-lo ao vivo.
Eu poderia fazer um post cabeça, falando a morte do cara que usava máscara pra viver enquanto que o do filme usava máscaras pra matar, que desde moleque tanto um quanto outro passaram por traumas que mudaram suas vidas adultas e mais um monte de comparações bestas, mas depois de ler um texto que o Paulo Ricaro (sim, o do RPM) escreveu pra Folha de São Paulo dizendo que ele " foi se deteriorando feito uma folha de fax que vai perdendo a cor" e também dizendo que "talvez ele esteja numa cidade imaginária conversando com Elvis e Hitler", eu achei melhor falar só do filme sem filosofia de bala de pinho. Deixo o título de vergonha alheia total pro vocalista (!!!) e chega!
Bom, nada de melhor agouro pro início de um festival de cinema fantástico por aqui que a morte de um "mostrinho" (desculpem, mas era sim) momentos antes. E ao chegar no Reserva Cultural, dou de cara com o mestre dos mestres José Mojica Marins chegando junto. Ui!
Aliás, aqui vai um parêntese rápido. Um repórter/apresentador da Tv Cultura com uma folha de pauta em mãos, na minha frente, perguntando pro assessor de imprensa do festival quem era o tal José Mojica Marins que ele precisava entrevistar. O assessor aponta e o repórter diz "não, aquele é o Zé do Caixão". O assessor confirma e ele então, rindo, diz, "ah, eles são a mesma pessoa! agora eu entendi!" Sim, isso na minha frente. Eu quase vomitei no pé do repórter essa hora, de raiva.
Depois disso tudo, entrei pra assistir "Halloween, O Início", do Rob Zombie. Adoro o Rob Zombie, desde sempre e como diretor de filmes, mais ainda, porque o cara é cruel e despudorado. E ele escreveu o roteiro e produziu e tal. E o filme é bom demais. Cheio de closes, como um bom filme de terror tem que ser, pra mostrar as podreiras mesmo!
Bom, esse "Halloween" conta o começo da piração do Michael Myers, ele com 10 anos de idade passando de dissecar gatos e ratos pra matar amiguinhos da escola e na noite das bruxas, destruir quase a família toda, sua irmã, o namorado, o padrasto tosco deixando viva apenas sua irmãzinha bebê e sua mãe gostosa.
A sequência que conta bem esse início de doideira é Myers, gordinho, cabelo na cara, máscara de palhaço (recorrente, aliás, nos filmes de Rob Zombie, né?), sentado na frente de sua casa e sua mãe, stripper, dançando na boite ao som de "Love Hurts" momentos antes dele, Michael, começar a chacina. Lindo e poético e doente!
Daí pra frente ele é internado num manicômio e tratado por um médico quase doidão, vivido por ninguém menos que Malcom MacDowell que numa bobeada, deixa o moleque com uma enfermeira enquanto conversa com a mãe gostosa dele e o moleque '~ao perde tempo e trucida a mulher com um garfo.
17 anos se passam, Myers cresce, um monte, e volta pra sua cidade atrás da irmãzinha que cresceu. Claro que numa noite de Halloween e claro que matando todo mundo que vai encontrando pelo caminho.
E isso tudo muito bem filmado, com uma trilha ótima e uma edição quase perfeita. Os sustos a gente quase sempre sabe quando vão acontecer, mas quando acontecem, surpreendem pela crueldade. Prepare-se, porque nesse filme não tem aquele susto que não é: sempre é!
E pra terminar, só um comentário do que me decepcionou no filme. O diretor Zombie mostra todas as adolescentes de peito de fora trepando, como em todo bom filmeco de terror, mas a striper gostosa, mãe do Michael, ele não mostra de peito de fora. Chocante! E sabe por que? Só porque a mina é a esposa de Rob Zombie, Sherri Moon Zombie! Machista besta, né, Zombie?
Imperdível, galere! A partir de amanhã, quinta feira dia 25 de junho, começa aqui em São Paulo o I SP TERROR, Festival Internacional de Cinema Fantástico. Demais, demais.
Quando eu morei fora estudando, ia etodo ano a pelo menos 3 festivais do tipo, o de Avoriaz na França, o de Bruxelas na Bélgica e o de Sitges na Espanha. E sempre era uma delícia.
Nesse festivais, como em qualquer outro, além dos lançamentos dos filmes mais bacanas e recentes, sempre rolavam mesas redondas, bate papo e o melhor de tudo, eu sempre encontrava atores e diretores na rua e esse povo geralmente é sempre mais relax do que as grandes estrelas num festival maior.
No caso daqui de São Paulo, o Festival já valeria a pena pela pré-estreia do melhor filme do ano passado, o sueco "Deixa Ela Entrar", dos vampiros adolescentes, que eu já falei aqui. Mas além desse, ainda passam pérolas como "Sex Galaxy" que também já falei aqui, "Pervert", "O Gigante do Japão", o teen-americano "Dead Girl", o brasileiro "Mangue Negro", o francês "Eden Log" e o meu mais esperado de todos "Matadores de Vampiras Lésbicas".
O site do festival tem todas as infos certinhas e mais sinopses de todos os filmes, vale a pena conferir. Os filmes todos passam no Reserva Cultural e mais uma vez, não percam. Ah, a sala do Reserva não é tão grande, então, recomendo comprar ingresso antes.

Finalmente reconhecido: Michael Haneke venceu a Palma de Ouro com seu filme "The White Ribbon". Ele é o diretor vivo que eu mais admiro e já falei disso por aqui.
Num juri onde a presidente era Isabelle Hupert, que já estrelou um filme de Haneke, o polêmico (como sempre) "A Professora de Piano", eujá esperava que ele ganhasse alguma coisa, como sempre acontece em Cannes com seus filmes. Mas dessa vez levou a Palma de Ouro, antes tarde do que nunca!
Abaixo a lista dos vencedores dos principais prêmios:
Palma de Ouro de Longa-Metragem
"The White Ribbon", de Michael Haneke
Grande Prêmio
"Un Prophète", de Jacques Audiard
Melhor Diretor
Brillante Mendoza, por "Kinatay"
Melhor Roteiro
"Spring Fever", de Mei Feng
Melhor Atriz
Charlotte Gainsbourg, de "Anticristo"
Melhor Ator
Christoph Waltz, de "Bastardos Inglórios"
Prêmio do Júri
"Fish Tank", de Andrea Arnold, e "Thirst", de Park Chan-Wook
Prêmio Especial pela Carreira
Alain Resnais, de "Les Herbes Folles"
Mostra Un Certain Regard
"Kynodontas", de Yorgos Lanthimos
Caméra d'Or
"Samson And Delilah", de Warwick Thornton


Filmes novos dos melhores diretores da atualidade estarão esse ano no Festival de Cannes, em competição e alguns em exibição especial. Almodovar, Haneke, Ang Lee, Gaspar Noe, Tarantino, Trier, esse competem e prometem.
O brasileiro Heitor Dhália e seu filme "À Deriva" estarão na mostra Um Certo Olhar.
Pra completar, o juri desse ano é presidido pela atriz francesa Isabelle Hupert e tem o grande escritor inglês Hanif Kureish como membro.
Noite de Abertura:
Pixar's Up - Dir: Pete Docter
Competição:
Broken Embraces - Dir: Pedro Almodóvar
Fish Tank - Dir: Andrea Arnold
A Prophet - Dir: Jacques Audiard
Vincere - Dir: Marco Bellocchio
Bright Star - Dir: Jane Campion
In the Beginning - Dir: Xavier Giannoli
Map of the Sounds of Tokyo - Dir: Isabel Coixet
The White Ribbon - Dir: Michael Haneke
Taking Woodstock - Dir: Ang Lee
Looking for Eric - Dir: Ken Loach
Spring Fever - Dir: Lou Ye
Kinatay - Dir: Brillante Mendoza
Enter the Void - Dir: Gasper Noe
Thirst - Dir: Park Chan-wook
Les Herbes Foilles - Dir: Alain Resnais
The Time That Remains - Dir: Elia Suleiman
Inglourious Basterds - Dir: Quentin Tarantino
Vengeance - Dir: Johnnie To
Face - Dir: Tsai Ming-liang
Antichrist - Dir: Lars von Trier
UN CERTAIN REGARD:
Mother - Dir: Bong Joon-ho
Irene - Dir: Alain Cavalier
Precious - Dir: Lee Daniels
Demaine Des L'Aube - Dir: Denis Dercourt
Adrift - Dir: Heitor Dhalia
Nobody Knows About The Persian Cats - Dir: Bahman Ghobadi
The Wind Journeys - Dir: Ciro Guerra
Le Pere De Mes Enfants - Dir: Mia Hansen-Løve
Tale in the Darkness - Dir: Nikolay Khomeriki
Air Doll - Dir: Hirokazu Kore-Eda
Dogtooth - Dir: Giorgos Lanthimos
Tzar - Dir: Pavel Lounguine
Independence - Dir: Raya Martin
Police, Adjective - Dir: Corneliu Porumboiu
Nymph - Dir: Pen-Ek Ratanaruang
To Die Like a Man - Dir: João Pedro Rodrigues
Eyes Wide Open - Dir: Haim Tabakman
Samson & Delilah - Dir: Warwick Thornton
The Silent Army - Dir: Jean van de Velde
Tales From the Golden Age - Dir: Hanno Hofer, Razvan Marculescu, Cristian Mungiu, Constantin Propescu, Ioanna Uricaru
Fora de Competição:
The Army of Crime - Dir: Robert Guédiguian
Agora - Dir: Alejandro Amenabar
The Imaginarium of Doctor Parnassus - Dir: Terry Gilliam
Exibição Especial:
Petition - Dir: Zhao Liang
L'epine Dans le Coeur - Dir: Michel Gondry
Min Ye - Dir: Souleymane Cissé
Jaffa - Dir: Keren Yedaya
Manila - Dir: Adolfo Alix Jr. and Raya Martin
My Neighbor, My Killer - Dir: Anne Aghion
Sessões da Meia Noite:
A Town Called Panic - Dir: Stéphane Aubier and Vincent Patar
Ne Te Retourne Pas - Dir: Marina de Van
Drag Me to Hell - Dir: Sam Raimi
Encerramento:
Coco Chanel & Igor Stravinsky - Dir: Jan Kounen
Depois do premiado "O Segredo De Brokeback Mountain", Ang Lee ficou meio parado e volta agora com esse "Taking Woodstock", contando os bastidores de como teria rolado de verdade o festival lá em 1969, o original. O trailer é bem bom e o filme deve ser também. Apesar dos hippies, aguardo ansioso.




