Finalmente assisti "Zumbilândia", o tal filme de zumbis que todo mundo ama. Não fosse pela participação especialíssima de Bill Murray, o filme seria absolutamente descartável.
O grande problema do filme pra mim é o ator principal, Jesse Eisenberg, que é um desses nerds fofos de filmes de hoje em dia, tipo o Michael Cera. Um outro filme de adolescentes com ele, "Adventureland" pode ser considerado o "Zumbilândia" sem zumbis, historinha de amor do nerd com a bad girl tendo um parque de diversãoes de fundo, só que um sem e o outro com zumbis.
O filme dos zumbis tem outras 2 coisas legais, na verdade: Woody Harrelson (infelizmente fazendo de novo e como sempre o papel dele mesmo) e a fofinha que cresceu Abigail Bresslin (a menina da kombi amarela).
Harrelson só sai de cena no filme quando Bill Murray aparece, o que infelizmente dura poucos minutos, no papel dele mesmo que se faz passar por zumbi com maquiagem e peruca pra poder andar entre os monstros que invadiram e dominaram L.A.
Ah, a história é que num futuro próximo um vírus transforma quase todo mundo em zumbi e viver na terra vire quase impossível. Daí o nerd encontra o cowboy (óbvio) Harrelon e pelo caminho encontram 2 irmãs bad girls e vão pra L.A. Muito sangue, muita tripa, umas piadinhas bobas e o moleque chato se apaixona pela mais velha das duas e tenta conquistá-la com seu sotaque chato, seu jeito insuportável de explicar as coisas e zzzzzz.
Bom, pra salvar, a trilha do filme é bem boa, rock bacana, novo e umas velharias, mas nada demais pro hype todo e os letreiros durante o filme são bons também, engraçados de certa forma. Saudade do Romero!
RETIFICANDO, O FILME PASSOU EM SP NOS CINEMAS COM O TÍTULO "VIGARISTAS" ANO PASSADO E ACABOU DE SAIR EM DVD. MAIS FÁCIL PRA ASSISTIR ENTÃO.
De vez em quando no cinema americano algum diretor mais doido faz um filme bacaninha com muitas e boas pitadas de um surrealismo engraçado, que me remete muito ao Ubu do Jarry e tal.
O autor da façanha da vez é Rian Johnson que escreveu e dirigiu "The Brothers Bloom", filme bem divertido com elenco encabeçado por Adrian Brody e Mark Ruffalo que fazem os irmãos do título, dois mestres na "arte" da enganação que tentam de várias formas "extrair" dinheiro da milionária solitária Rachel Weizs.
(Destaque ainda pra personagem Bang Bang vivida pela japonesa Rinko Kikuchi, de "Babel", muda, linda, fatal e a mais bem humorada de todos.)
Filme divertido, meio longo, mas com roteiro até que consistente, com locações lindas, direção de arte certinha, mas que não vingou acho que pela estranheza do roteiro ou mesmo do tema proposto, o amor pela enganação e o amor que dela surge.
Quase 10 anos atrás, em 1991, um Bruce Willis no auge de sua carreira, fez um filme nos mesmos moldes, "Hudson Hawk": estranho, surreal, com elenco bacana, com locações ótimas e com um bando de personagens malucos onde um queria sacanear com o outro por causa de dinheiro, mas tudo com um bom humor meio bizarro demais, o que levou o filme milionário a um grande fracasso de bilheteria.
Eu particularmente ainda acho que esse "Hudson Hawk" ainda vai ser descoberto um dia como uma das pérolas dos anos 90 e espero que nesse momento reconheçam "The Brothers Bloom" como um filho distante dessa familiazinha bizarra que espero que não pare de crescer.
"Invictus" é claramente um filme de propaganda. Meio disfarçado de drama, tenta fazer chorar e emocionar, mas no fundo, quando eu saí do cinema, só me lembrava das marcas que devem ter pago o filme. Vergonhoso.
Mas pensando bem, esse é o filme que o Lula deveria ter feito, não a porcaria que lançaram e foi o fracasso que foi.
"Invictus" conta a história de quando Mandela assumiu o poder na África do Sul e logo teve a copa do mundo de Rugby por lá. A seleção do país era a pior das participantes sem a menor chance e por causa do incentivo do presidente recém eleito acaba ganhando a Copa.
2010 é o ano da Copa de Futebol na África do Sul e esse filme é uma grande propaganda (no pior dos sentidos) de como o país é bacana e blah blah blah. Em "Invictus" tudo é lindo, calmo, sem conflitos muito absurdos, parece um comercial de margarina, inclusive na fotografia limpa (mas linda) do filme.
Os caras com certeza pegaram dinheiro dos patrocinadores, contrataram o Clint, 2 atores americanos de peso e fizeram o que fizeram. Diferente do Lula que pegou um dos piores diretores brasileiros pra fazer um dramalhão da sua história de vida e aconteceu o que aconteceu.
Mais uma lição, por pior que seja, a ser aprendida.
Estreou em SP o vencedor de Cannes 2009, do Globo de Ouro de filme estrangeiro e concorrente a 2 Oscars, "A Fita Branca".
Dirigido pelo austríaco Michael Haneke, a filme é daqueles que quando eu for beeem velhinho, vou sentir orgulho de ter vivido na época em que foi lançado. Saí do cinema com a sensação de estar presenciando uma obra de arte do meu tempo.
Reproduzo aqui um texto que publiquei nesse blog em outubro do ano passado quando assisti esse filme na Mostra de Cinema de SP.
"Começou na última sexta feira a 33a. edição da Mostra de Cinema de São Paulo.
E eu comecei a me jogar e comecei bem.
Coincidência ou não, no ano passado, na primeira sexta feira, eu assisti o filme que mais queria ver e relaxei: depois de "Deixa Ela Entrar" o resto foi o resto, apesar de coisas boas.
Esse ano não foi diferente: "A Fita Branca", do melhor de todos Michael Haneke, vencedor do Fetival de Cannes desse ano, foi uma aula de sutileza. Um dos filmes mais violentos de todos sem mostrar uma porrada sequer, mas que te deixa inquieto por 2 horas e meia.
Se o Altman fosse austero e austríaco ele teria feito esse filme. Dias antes do início da Primeira Guerra Mundial, num vilarejo dominado por um barão odiado por quase todos que vivem sob suas asas, crueldades acontecem sem que se saibam quem as cometeu deixando uma aura de quase desespero.
Um mestre da sutileza, Haneke não nos mostra o que quer que a gente veja e faz com que o filme seja um exercício para quem o assiste. A luz, a trilha (quando existe), o elenco, a locação, as crianças, as fitas brancas e a notícia do assassinato que levaria a grande Guerra são pistas pra irmos tentando descobrir quem é o vilão de uma história que ninguém é inocente."
Obrigado Oscar, por dar 9 indicações ao maravilhoso "Guerra Ao Terror" fazendo com que assim, seu distribuidor brasileiro o lançasse nos cinemas, depois de terem "jogado" direto em DVD ano passado.
Parece piada isso, mas é a mais pura verdade. Não só contentes em darem um título ridículo em português (pra variar), lançaram uma obra prima direto nas locadoras. E agora, meses depois, nos cinemas, pra nossa felicidade.
Eu não acreditava que só veria esse filme em tela pequena e fico feliz com a oportunidade, obrigado.
O filme, mais um petardo da ótima (mas irregular) Kathryn Bigelow, conta a história de um esquadrão anti bomba em plena guerra do Iraque, bravos soldados que arriscam a vida todo dia por causa dos famosos ataques ao exército americano. NOT!
O filme fala de adrenalina, devício, de vício em adrenalina. Jeremy Renner é o líder do esquadrão que não poupa risco nenhum para desativar as bombas, sabendo que toda vez sua vida é colocada em risco e mesmo assim continua, apesar das broncas dos superiores e de seus subordinados. E quando volta pra casa, não aguenta a tranquilidade, e como um junkie , volta atrás do seu vício.
Eu assisti esse filme pela primeira vez logo depois de rever "Redacted", o filme do Brian DePalma sobre o Iraque (que também é uma porrada) que fala de soldados americanos que estupram uma garota no meio da guerra por se sentirem carentes e sozinhos, como se isso fosse uma justificativa palpável. Enquanto DePalma mostra em seu filme como os soldados se comportam, filmando como se não houvesse amanhã (assim como a vida desses soldados na guerra) usando todo tipo de câmera pra isso, de celular, a HD, passando pela película, Bigelow e seu "Guerra Ao Terror" são o oposto: ela filma da maneira mais brilhante possível, como uma diretora (ou um diretor) que chega em seu nível mais alto de perfeição e de qualidade (a velha ladainha da maturidade profissional, que nesse caso se aplica).
Alguns de seus outros filmes, "Caçadores de Emoção" e "Strange Days" já lidavam com essa coisa do vício, de alguma forma de drogas. Eu acho "Strange Days" um dos filmes que um dia ainda serão descobertos e que ganhará a devida atenção e fiquei feliz por Kathryn estar recebendo a devida atenção nesse momento.
Torçamos pela fofa no Oscar, ainda mais porque ela já foi brevemente casada com James Cameron, que a trocou pela atual esposa, a mãe da Kate do Titanic. Se Kathryn ganha o Oscar de direção, vai ser lindo , ainda mais por isso!
Sempre que algúem me pergunta o que é um diretor bom, eu digo que é aquele que filma tudo e qualquer coisa: terror, drama, comédia, tudo bem feito.
Bong Joon-Ho é um desses diretores. O coreano fez o ótimo "O Hospedeiro" em 2006, filme de monstro imperdível. E agora passa aqui nos cinemas seu mais recente petardo: "Mother - A Busca Pela Verdade" (aliás, alguém me explica porque não "Mãe"?).
Esse é um filme que mostra que todos os clichês e ditados sobre mães são verdadeiros, que ela padece no paraíso, que amor de mãe não tem igual e tudo mais.
O filme conta a história de uma mãe soltiera numa cidadezinha da Coréia que cuida de um filho já adulto com alguma deficiência mental e com ele tem uma relação quase incestuosa.
Nesse subúrbio pobre onde vivem, em meio ao tédio, a mãe vende ervas e pratica acupuntura ilegalmente enquanto seu filho vive na rua "vagabundando"com um amigo que também não faz nada da vida só deixando a mãe super protetora preocupada o tempo todo. Eles dormem juntos, comem juntos e ela o manipula para que um faça companhia para o outro o tempo todo.
Quando uma garota é assassinada, seu filho é acusado do crime mesmo sem provas concretas. Com um advogado de defesa inepto e uma polícia preguiçosa, a mãe faz de tudo para tirá-lo da cadeia. E nesse caso, como o amor de mãe é enorme, ela faz TUDO mesmo.
Em princípio eu achei o filme meio novela, historinha quase besta, mas a partir do momento da prisão do filho a mãe (a genial Hye-ja) se mostra um monstro de atuação e dá um show sofrendo, tendo ideias, resolvendo as coisas, brigando com deus e todo mundo e por fim, de uma forma ou de outra, fazendo justiça.
Um filme como esse mostra, feito em HD, com uma fotografia primorosa com chuva, noturnas, muito movimento de câmera, deveria ser um manual para diretores brasileiros que preferem gastar rios de dinheiro para resultados que não chegam aos pés de "Mother - A Busca Pela Verdade".
É meio óbvio e até redundante eu achar que "Avatar" leva o Oscar de melhor filme de 2009. Suas 9 indicações são a prova do reconhecimento de James Cameron. De novo. Porque o rio de prêmios que ele levou com "Titanic" já tinha sido a prova cabal, e ele gritando "I´m the king of the world" foi seu pseudo agradecimento em forma de auto citação e tapa na cara da indústria cinematográfica americana.
Por ser o rei do mundo, Cameron fez o filme mais caro da história, que bateu seu próprio "Titanic" nas bilheterias e agora concorre aos tais prêmios.
Mas eu ainda tenho esperanças que "Guerra Ao Terror" (o título bizarro de "The Hurt Locker" aqui no Brasil) seja justiçado e dê pelo menos o prêmio de melhor diretora a Kathryn Bigelow (ex mulher de Cameron, diga-se de passagem). E o mais legal é que ela seria a primeira mulher a ganhar tal prêmio.
Em relação a ator e atriz, parece que é certo que Jeff Bridges e Sandra Bullock (que já foram premiados no Globo de Ouro) recebam os prêmios, o que não é ruim pra ele, grande ator mas ela eu não engulo, fraquinha de dar dó.
Uma torcida minha é para Vera Farmiga que concorre como atriz coadjuvante por "Amor Sem Escalas": aposto que ela a partir dessa indicação vire a estrela que merece ser.
Outra torcida minha é por Up-Altas Aventuras, a animação maravilhosa que tanto foi indicado como melhor animação como indicado como melhor filme, além de outras indicações.
Em bolões do Oscar eu sempre perco porque sempre aposto com o coração e nunca com a razão. Minha torcida esse ano é por "Guerra...", "Distrito 9" e "Up..." e o melhor de tudo, "The Cove" foi indicado a melhor documentário, minha paixão do ano passado.
E pra terminar, o filme (ruim) brasileiro "Salve Geral" (obviamente) não concorre ao prêmio de filme estrangeiro onde um argentino e um peruano foram indicados. Claro que eu torço pela obra prima "A Fita Branca", que ainda concorre a melhor fotografia e se não ganhar nas duas categorias, é marmelada.
Se algum desses sair premiado já vai ser bom pra mim.
Aliás, assistam os 3. Imperdíveis!
Assisti mesmo com os 2 pés atrás e quase caí pra frente: "Amor em Escalas" é um filme bem bom.
Um dos pés atrás era pelo Clooney: nunca gostei muito dele no E.R. e quando ele largou e foi fazer filmes, os cacuetes que ele tinha de cabeça me irritavam profundamente. Mas o cara tá sabendo envelhecer e melhora a cada filme que faz.
O outro pé atrás era em relação ao diretor Jason (filho do Ivan) Reitman e os seus próprios cacuetes indies em filmes nem tanto. (Só pra dar exemplo, meu primeiro post aqui nesse blog foi falando mal de Juno). Mas o cara mandou bem demais nesse filme onde além de dirigir, produz e escreveu o roteiro que é muito bom.
Toda a história mirabolante (quase) é pra falar de amor. Só isso já me ganhou: Clooney é um executivo que as empresas sem culhão contratam pra que ele despeça funcionários. Ele viaja 327 dias por ano e reclama de ter que ficar em casa os 30 e tantos restantes. Ele adora hotel, mala pequena, todo metódico e sistemático, nunca se apaixonou. Até que em uma viagem encontra uma executiva (a maravilhosa Vera Farmiga indicada ao Oscar de melhor coadjuvante) em um bar de hotel com quem começa a ter um relacionamento (bem) esporádico: eles marcam encontros baseados em suas agendas de viagem.
Só que a cada encontro ele vai se interessando mais e mais por ela, em meio a uma trilha sonora mega indie e com muita locução em off do Clooney explicando tudo o que vai acontecendo (meio desnecessário). Mas o roteiro é bom, com virada boa no final, não é piegas e o melhor é que a vibe indie do diretor não se deixou prevalecer para o lado ruim.
Sempre que eu vejo um filme com historinha de amor eu fico imaginando qual dos personagens eu seria. Em "500 Dias com Ela", por exemplo, eu era a menina com certeza, apesar de querer ter sido o cara. Nesse filme eu achava que eu era a mulher (de novo, ui), mas no final tive certeza que não. Mas eu também não era o cara, o friozão da história.
Recomendo muito o filme que hoje recebeu 6 indicações ao Oscar, todas merecidas, mas é provável que não ganhe nada, no máximo roteiro adaptado, se bem que eu torço pro Nick Hornby ganhar por "Educação".




