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Tech-house quer dizer o que mesmo?
30.05.09 13:3339 comentários

Lá pelo meio dos anos 90, o veterano DJ londrino Mr. C (na foto ao lado) inventou um novo termo musical: tech-house.

 

"O tech-house é o último bastião da cultura acid house. A vibe toda é sobre algo novo, algo inovador, um pouco eletrônico, novos sons, novas sensações, tudo é possível. Não existem fronteiras. Isso é que é bom no gênero tech-house. Ele pode ser hard techno. Ele pode ser breaks. Ele pode ser electro", disse Mr. C numa entrevista em 2000.

 

Nos dias de hoje, o termo "tech-house" está na boca do povo como nunca esteve. Sim, porque tech-house pode ser antigo, mas ele nunca foi gênero "de massa". Sempre comeu pelas beiradas.

 

Só que o contexto é outro: tech-house é usado como grife mais do que como um manifesto ou conceito. Do mesmo jeito que se usava "electro" há alguns anos para tudo que era menos "bombator" e de BPM mais baixo, posto depois ocupado pelo termo "minimal", o lance agora é chamar tudo de "tech-house".

 

AR DE CONHECIMENTO?

 

Acho engraçado ouvir as pessoas falando tanto em "tech-house" pra cima e pra baixo, com convicção e ar de conhecimento. Eu, por exemplo, tenho muitas dificuldades em dizer com confiança onde começa e onde termina o "tech-house".

 

A prova é a seguinte: tente explicar o que é tech-house para alguém com conhecimento superficial de música eletrônica. Meus pais, por exemplo, ou algum amigo fã de rock. Eu consigo explicar para eles o techno. Consigo definir house. Breakbeat e trance, moleza. Agora tech-house é complicado.

 

Para quem está por dentro da música eletrônica, beleza. Eu diria algo mais ou menos assim: "BPMs na casa dos 130, groove retilíneo e vigoroso, adereços melódicos contidos, influências discretas de techno de Detroit, soul, jazz e eletrônica vintage, uma levada contínua sem grandes picos ou explosões."

 

Antigamente, eram discos como "Free At Last", do Simon, ou "Future", do Halo Varga. Boa parte das faixas do Circulation, Halo Varga, Terry Francis, Terry Lee Brown Jr., Layo & Bushwacka, Get Fucked, Azad Rizvi, entre outros. Hoje, citaria músicas de nomes como Guillaume & the Coutu Dumonts, Jamie Jones, The Mole, Seth Troxler, DJ T, Nick Curly, Simon Baker e John Tejada.

 

Mesmo assim, como ficam tantas faixas de house com alguns detalhes mais "techno". Ou tantos techno com uma pegada mais "house". Ou músicas de "prog" que tem um ritmo menos, erm, progressivo e uma leve influência de Detroit. Ou "Amelie", do Butch, no famoso remix do Format B. E o tal do "fidget house" não é também meio que um house "tech"?

 

Tech-house fase 2009 é a prova definitiva de como as etiquetas de gênero, tão caros à música eletrônica, se mesclaram e diluiram a ponto de não quererem dizer mais nada.

 

Então, para simplificar, acho que fica mais fácil fazer como todo mundo está fazendo: é tudo "tech-house", "O Som das Pistas Eletrônicas do Momento".

 

U-hu!

 

TECH-HOUSE ONTEM

 

Get Fucked - De Icing

 

 

Halo Varga - Future

 

 

Simon - Free At Last

 

 

Circulation - Red (A)

 

 

TECH-HOUSE HOJE

 

Sety - Mogane (Guillaume & The Coutu Dumonts remix)

 

 

Seth Troxler - The Student (Seth Troxler remix)

 

 

Jamie Jones & Simon Baker - Kaskazi (Original Mix)

 

 

Nick Curly - Say Something

 

Camilo Rocha
Camilo Rocha (camilo @ rraurl.com)
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A ponte entre nu disco e tech-house
19.05.09 09:107 comentários

A cada faixa nova que eu ouço dos belgas do Mugwump, eu fico mais feliz por eles existirem. Pois os caras, individualmente conhecidos como Geoffroy e Kolombo, têm conseguido fazer a ponte perfeita entre dois gêneros que estão entre os mais ativos da atualidade: tech-house e nu-disco.

 

Ouça o EP deles que saiu pela Kompakt ano passado, Meditation. A hipnótica "Ignored Folklore" chega a soar como prog do começo dos anos 90, com aquele teclado oscilante que parece ter vindo de um dos primeiros singles do Underworld ("Dog Man Go Woof"). No mesmo EP, "Reverse the Curse" parte para uma direção bem mais disco-funk espacial, sem nunca esquecer que está saindo pela Kompakt (ou seja, é mais Gui Boratto do que Prins Thomas).

 

Mugwump - Ignored Folklore

 

 

Os desgraçados têm uma faixa que tocaram no programa Beats In Space chamada "Tellakian Circles" que é o encontro tech-disco retratado à perfeição. A faixa ainda é para poucos. O site do selo Mule Musiq informa que ela sai só para o público no final de junho.

 

Mas, em se tratando de Mugwump, tem música boa sobrando por aí.

 

Vai ouvir Yajna, épico de mais de dez minutos com um groove ultra-arredondado que leva você embora até cair num dos breakdowns mais surpreendentes dos últimos anos, quando entra uma banda de metais de baile da saudade e confunde todas as cabeças.

 

Mugwump - Yajna

 

Tem mais: "Boutade" pelo selo Misericord, do Ewan Pearson, "Fears Inc", também pela Kompakt, "Mindflexes", pela Cocoon.

 

Não é à toa que, de Sven Vath a Aeroplane, de MANDY a Mr. Scruff, todo mundo hoje em dia tem um pouco de Mugwump no seu case.

 

Corre no MySpace deles pra conhecer mais.

Camilo Rocha
Camilo Rocha (camilo @ rraurl.com)
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