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Geração raver chega ao poder
30.04.09 17:2418 comentários

Imagine se aparecesse um vídeo com o governador José Serra ou Aécio Neves curtindo uma rave muitos anos atrás. Pois aconteceu o equivalente na Inglaterra. Surgiram imagens de uma rave de 1988 onde aparece um rapaz que seria hoje o líder do Partido Conservador (oposição) do país, David Cameron.

 

 

O partido de Cameron se apressou em negar que o rapaz no vídeo não é o político. O suposto David Cameron aparece aos 13 segundos, de cabelo comprido e sorrisão estampado no rosto.

 

O vídeo foi divulgado pelo blogueiro conservador Guido Fawkes, cujo nome verdadeiro é Paul Staines. Staines foi assessor de imprensa da rave Sunrise entre 88 e 89.

 

Não é a primeira vez que o nome de Cameron é envolvido em polêmica. Em 2007, surgiu a notícia de que ele quase foi expulso de Eton (a mais famosa escola da elite inglesa) depois que um colega o denunciou por fumar maconha.

 

LIBERDADE DE FESTEJAR

 

Staines é ligado ao Partido Conservador inglês desde o final dos anos 80. Ajudou a fundar a campanha Liberdade de Festejar, em prol das raves, numa conferência do partido. Também participou de grupos lobistas ligados ao partido para assuntos mais "sérios" como direitos humanos e o livre mercado. Hoje seu blog é um dos mais importantes da área política no Reino Unido.

 

Ele conta que tem "boas memórias de tomar LSD e MDMA puro e dançar hipnotizado." Também já disse que seria uma boa ideia salpicar de ácido a bebida nas reuniões de políticos de Partido Conservador.

 

Tanto ele como David Cameron, se é que era ele no vídeo, são exemplos da geração que pirou o cabeção nos tempos da acid house e que hoje está no centro do poder do Reino Unido.

 

CARETEANDO

 

No Brasil ainda não deu tempo de algo equivalente acontecer, já que as raves explodiram aqui muitos anos depois.

 

Mas já temos muitos exemplos de caras que certamente fizeram suas doideiras quando mais novo e que hoje estão nas altas esferas do executivo e legislativo.

 

Em tese, pessoas com essa experiência poderiam significar o avanço de uma compreensão e tolerância maior com relação à diversidade cultural e a causas como a legalização das drogas, só pra ficar em dois exemplos com relação bem direta. Políticos assim talvez não pensem que festas de música eletrônica são o inferno sobre a terra, como é a opinião de tantos por aí.

 

Na prática, não é bem assim. Os casos são raros. Temos, por exemplo, Fernando Gabeira e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que faz pouco aderiu à causa de legalização da maconha (mesmo assim duvido que ele apareça na Marcha da Maconha que rola domingo).

 

E não é só porque muita gente "careteia" depois que fica mais velha. Tem muito mais a ver com o fato de que o mundão lá fora nem sempre tem a opinião mais progressista. Na hora de pedir seu voto, é mais sensato deixar os temas polêmicos bem guardadinhos na gaveta.

 

(trechos tirados de matéria que fiz para o site virgula.com)

Camilo Rocha
Camilo Rocha (camilo @ rraurl.com)
Putz! Putz!
Jornalista destrincha o mundo das raves
23.03.09 19:3127 comentários

Alguns meses atrás, fui procurado por um cara chamado Tomás Chiaverini. Ele se apresentou como jornalista, disse que estava preparando um livro sobre raves e que queria me entrevistar. Minha reação inicial foi de ceticismo. O próprio Tomás admitia que não sabia nada de música eletrônica.

 

Acontece que o Tomás é um bom jornalista. E o bom jornalista não precisa ter conhecimento prévio do assunto que vai abordar. O bom jornalista mergulha naquele assunto, pesquisa, fuça, entrevista, convive com os personagens e, a partir daí, extrai sua história. O livro anterior do Tomás, por exemplo, Cama de Cimento, relata o cotidiano dos sem-teto. Para contar essa história, Tomás virou morador de rua de verdade.

 

Já em sua pesquisa sobre as raves, ele tomou ecstasy, viajou com a galera de ônibus para a Bahia, frequentou um monte de festas e conversou com dezenas de pessoas desse meio. O resultado é o livro Festa Infinita - O Entorpecente Mundo das Raves, lançado agora pela Ediouro. Ainda não li, mas é certo que vem polêmica por aí. A galope.

 

O Tomás concorda. Falamos sobre este e outros assuntos na entrevista a seguir:

 

Por que escrever um livro sobre as raves? O que lhe atraiu nesse tema?

 

Tive a idéia de escrever o livro quando estava de férias na Bahia e conheci um pessoal que estava indo para o Universo Paralello. Quando eles começaram a falar sobre festas que duram semanas, que atraem dezenas de milhares de pessoas, que são organizadas em praias isoladas, desertos, galpões, que têm toda essa cultura meio neo-hippie por trás, já fiquei pra lá de interessado no assunto.

 

Depois de pesquisar um pouco, as questões mais antropológicas também me fascinaram: até onde vai o impacto de um festival gigantesco numa cidadezinha baiana, como convivem dez mil pessoas acampadas durante dias num mesmo lugar isolado, como o transe pela música age na nossa cabeça, e assim por diante.

 

Qual é a balada que costumava frequentar antes? Que tipo de música gostava?

 

Sou bem eclético no gosto musical, ouço de tudo. Mas o que gosto mais é MPB e rock, com carinho especial pelos clássicos. Quanto às baladas, sempre dei preferência pros botecos, com abundância de amigos e cerveja.

 

Você me contou que não sabia nada sobre o assunto antes de começar a pesquisa. Mas certamente tinha algumas ideias pré-concebidas sobre esse universo. Quais eram? Quais provaram estar certas e quais erradas?

 

Como não podia deixar de ser, eu tinha um pouco aquela visão de templo da perdição, que a imprensa geralmente passa sobre as raves. E, convenhamos, há algumas festas que não estão tão longe desse estereótipo. Mas eu imaginava as raves como algo mais soturno, algo mais próximo do punk do que do hippie, visão que hoje me parece incorreta.

 

JORNALISMO HUMANO

 

Quais foram as maiores dificuldades que teve durante a pesquisa e elaboração do livro?

 

Eu faço um jornalismo que é bem diferente do que encontramos nos jornais e revistas tradicionais. É um jornalismo humano, muito voltado pra histórias de vida, pra personagens. E para que esses personagens ganhem profundidade, é preciso uma aproximação muito grande entre o repórter e o entrevistado, o que é muito difícil.

 

Primeiro porque sou um pouco tímido, então tenho de me esforçar pra me aproximar de desconhecidos. Segundo porque quando essa aproximação acontece, ela quase sempre traz junto uma relação de amizade o que faz com que seja muito difícil manter um mínimo de imparcialidade.

 

Destaque alguns personagens interessantes que encontrou em sua pesquisa.

 

Putz, são vários. Mas tem a história do André Meyer, que antes de ser pioneiro das raves e dos piercings por aqui acompanhou o surgimento das festas em Londres e em Goa. Tem o perfil do Alok e toda a tensão que ele enfrenta nas semanas que antecedem o Universo Paralello. Ah, e tem o pessoal do Fuck For Forest, um grupo de gringos que faz shows de sexo, mantém um site com suas performances, e reverte todo o dinheiro que ganha para causas ambientais.

 

Que DJs e núcleos de festa entrevistou?

 

Também foram vários. Mas os DJs que estão na ativa e que aparecem bastante no livro são o Rica Amaral, o Gabriel Serrasqueiro (do Wrecked Machines), o Du Serena, o Swarup e o Edu (da Respect). As festas mais retratadas são a Respect, a Xxxperience, a Tribe, o Trancendence e o Universo Paralello. Além disso, têm os DJs pioneiros: André Meyer, Dmitri Rugiero (da Avonts), tem o pessoal da Fusion, têm um pouco das suas festas, que começaram a juntar o mundo eletrônico urbano com as raves que vinham de Trancoso, enfim, muita coisa.

 

DESCONFIANÇA

 

Você encontrou muita desconfiança de pessoas nessa cena, justamente por ser de fora?

 

Um pouco. Mas tem muita gente esclarecida também, que entende que o fato de eu ser de fora e estar propondo um trabalho sério, é um ponto a favor. Quer dizer, como um outsider, eu tenho muito mais liberdade pra buscar o máximo de imparcialidade.

 

No final, qual é sua conclusão sobre o modo como a mídia ou a opinião "mainstream" vêem as raves. É uma visão injusta? Por quê?

 

Eu acho que sim, porque as raves geralmente ganham espaço na grande imprensa quando alguém morre de overdose, despenca do penhasco ou é esmagado por uma caixa de som. Por outro lado, é assim que a imprensa funciona, à base de más notícias. E funciona assim, porque é isso que vende jornal, os telejornais têm mais audiência quando mostram catástrofes. Então é injusto? É, mas faz parte do jogo, da natureza humana...

 

Seu release diz que o livro quer mostrar que o mundo das raves vai muito além das drogas e que este seria praticamente o único aspecto abordado pelos jornais. Ao mesmo tempo, o subtitulo parece ressaltar justamente esse aspecto ("o mundo entorpecente das raves"). Não há uma certa contradição aí?

 

Não creio que haja contradição. Porque o livro vai realmente além da questão das drogas, mas isso não quer dizer que esse lado não seja retratado. Eu acredito que as drogas, principalmente o ecstasy e o LSD estejam intimamente ligadas com a história da música eletrônica.

 

O ecstasy, que apareceu junto com o house e o techno, foi um dos principais responsáveis pela popularização desses gêneros. E não tenho medo de afirmar que atualmente a maior parte dos freqüentadores de rave usa algum tipo de droga ilícita. Agora, o que me proponho no livro, é a fazer um retrato menos maniqueísta desse aspecto também, é mostrar as mais diversas facetas da questão.

 

Ainda não tive a oportunidade de ler o livro. Estou curioso em saber o nível de polêmica que vai levantar, dentro e fora da cena. Você acha que ele tem potencial polêmico?

 

Eu acho que o Festa Infinita vai causar polêmica dentro e fora da cena, e talvez a questão das drogas seja a mais crítica. Como disse, eu faço um retrato multifacetado da questão. Eu tomo um ecstasy, vou para a pista de dança e conto cada uma das sensações maravilhosas que ele causa. Mas também mostro o que acontece no dia seguinte, detalho os efeitos colaterais no organismo, abordo a questão da violência aliada ao tráfico de drogas, e explicito as ações descabidas da polícia. Então, acho que parte dos aficionados por esse mundo vai me chamar de reacionário, enquanto os reacionários vão me acusar de fazer apologia. Mas, no fim, eu espero que o livro seja maior do que essas polêmicas.

 

DROGA DEMAIS

 

Você acha o consumo de drogas nessa cena excessivo?

 

Acho que sim. Tem muito adolescente que vai a festas apenas pra experimentar uma balinha pela primeira vez. Essa situação se torna mais crítica quando há milhares de pessoas juntas, tomando substâncias que não passaram por nenhum controle de qualidade e podem causar as mais diversas reações no organismo. Mas aí, novamente não podemos colocar a culpa nas raves. Temos o carnaval, as micaretas, os bailes funks, os shows de rock e aposto que nesses eventos o consumo de drogas também é exagerado. As drogas são um problema da sociedade como um todo e não é proibindo as raves que vamos acabar com ele.

 

Quais as coisas que você mais gostou nesse universo?

 

Em festivais como o Trancendence e o Universo Paralello, há um clima de paz e amor que me surpreendeu bastante. Estar numa praia paradisíaca, cercado de pessoas bonitas, com performances surgindo de todo o canto, música, e com uma sensação de total liberdade, é algo realmente fascinante.

 

Agora que acabou a pesquisa e o livro ficou pronto, você pegou gosto pela brincadeira e pretende continuar a frequentar festas eletrônicas?

 

Eu gostaria de passar outro réveillon no Universo Paralello. Dessa vez sem ter que anotar nada.

 

Em dado momento, você me pediu ajuda para tentar diferenciar os estilos de música eletrônica. E agora, já sente que sabe a diferença entre um minimal, um tech-house, um electro?

 

Agora já me arrisco na catalogação. Mas ainda estou longe de ser um especialista em música eletrônica.

Camilo Rocha
Camilo Rocha (camilo @ rraurl.com)
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Como ganhar dinheiro nas férias
10.12.08 16:355 comentários

Boa dica para os Hugh Hefners e Oscar Maronis de plantão

 

Tags: raves
Camilo Rocha
Camilo Rocha (camilo @ rraurl.com)
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Sorria, você está sendo filmado
23.06.08 16:254 comentários

Deu na Folha Online, quinta-feira passada (19/6).

 

Rio sanciona lei que obriga instalação de câmeras em raves e bailes funk

 

DEH OLIVEIRA

Colaboração para a Folha Online

 

O governo do Estado do Rio sancionou nesta quinta-feira uma lei que obriga os responsáveis por bailes funk e festas raves a instalarem câmeras nos eventos. As imagens gravadas terão de ser guardadas por no mínimo seis meses, período em que o material ficará à disposição da polícia.

 

A lei, nº 5.265, estabelece várias outras exigências relacionadas à segurança e comodidade do público, como instalação de detectores de metal, contrato com empresa de segurança autorizada a atuar pela Polícia Federal, previsão de atendimento médico e banheiros --químicos ou não-- na proporção de um masculino e um feminino para cada 50 pessoas.

 

Os responsáveis pelos bailes ou festas terão de fazer o pedido de autorização para a realização do evento à Secretaria de Segurança Pública do Estado com pelo menos 30 dias de antecedência. O evento não poderá ultrapassar 12 horas e, no pedido, deve constar hora para início e término.

 

Em caso de descumprimento da lei, as penalidades variam de suspensão do evento a multa de até 5 mil Ufirs (cerca de R$ 9 mil no Estado do Rio de Janeiro).

 

Segundo a assessoria da Secretaria de Segurança Pública, na próxima semana o órgão vai estabelecer um prazo para que os realizadores de festas raves e bailes funks se enquadrem na nova lei, publicada no "Diário Oficial" do Estado nesta quinta-feira, após sanção do governador em exercício, Luiz Fernando Pezão (PMDB).

Camilo Rocha
Camilo Rocha (camilo @ rraurl.com)
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Dupla de Tropa de Elite filma raves
22.01.08 02:454 comentários

A polêmica de 2009 já está anunciada. A dupla responsável por Tropa de Elite, Marcos Prado e José Padilha, deve começar a filmar no segundo semestre deste ano seu novo longa. Será uma ficção retratando um universo que conhecemos bem: as raves e o consumo e comércio das drogas sintéticas.

 

Prado contou à revista Época que a trama será um "drama familiar de classe média... dois irmãos cariocas, a praia, o posto 9, as festas, o cotidiano dos jovens." O formato documentário chegou a ser pensado mas não rolou, segundo Prado, porque "ninguém nesse meio quer mostrar a cara."

 

"Mas", ele frisa, "... pesquisei muito para que o roteiro contivesse a realidade."

 

Entre os títulos cogitados estão Paraísos Artificiais e Posto 9. Enquanto que em Tropa Prado produziu e Padilha dirigiu na nova empreitada eles trocarão de lugar.

 

"EXPERIMENTAR É NORMAL"

Prado declarou à Época que a motivação para o filme foi seu filho adolescente. "Eu ouço e leio nos jornais muita coisa sobre esse tipo de droga e os lugares onde são consumidos. Mas não quero fazer julgamentos. Acho normal o adolescente querer experimentar, faz parte do amaudrecimento. Mas é preciso perceber os excessos, os limites."

 

As intenções parecem corretas. Mas quem é que pode controlar as interpretações? Quando sabatinado na Folha de S. Paulo, no auge do sucesso de Tropa, José Padilha disse o seguinte sobre o capitão Nascimento ter se tornado um herói para muitos brasileiros:

 

"É muito difícil imaginar que alguém considera o Nascimento um herói... O que me incomoda é que as pessoas não vejam isso e, em vez de se identificar com o personagem, se identificam com o discurso do personagem."

 

REAÇÃO INFANTIL E TAPADA

Pode apostar que um filme mostrando raves e drogas vai servir para muitos reforçarem seus preconceitos e idéias simplórias. É um risco que os realizadores tem que correr. Agora, só vendo o filme mesmo para saber se a abordagem vai ajudar o preconceito ou não.

 

É por isso que a reação contra a notícia do filme em certas comunidades no Orkut de frequentadores de raves tem sido precipitada, infantil e tapada. Xingaram Marcos Prado de tudo quanto é nome. Disseram que "esse cara vai acabar com as raves". Bom, se nem DJs ruins, drogas piores ainda, fritos passa mal, festas caça-níquel toscas e todos os fazer isso né? Por favor!

 

QUE LADO BOM QUE NADA

O mais incrível são aqueles que chiam porque o filme vai falar de raves e falar de drogas. Acham o filme deveria falar apenas "sobre o lado bom" das raves. É como se os italianos resolvessem reclamar dos filmes de mafioso porque só mostram seus compatriotas envolvidos na bandidagem.

 

Alô, pessoal, cinema é ação, drama, aventura, tragédia! Alguém lá quer ver o Al Pacino ou o Robert de Niro fazendo papel de dono de cantina? Claro que não. É por isso que se eu fosse ver um filme cujo pano de fundo fossem as raves e não aparecesse uma droga sequer eu sairia no meio, achando aquilo irreal, bobo e sem graça.

Camilo Rocha
Camilo Rocha (camilo @ rraurl.com)
Putz! Putz!