Em 2006, a SWAT chutou abaixo a porta da produtora dos DJs de hip hop Drama e Cannon. Apreenderam 81 mil mixtapes em CD, computadores, equipamentos de gravação e quatro carros. Drama é tido como um dos rei da mixtape nos EUA e sua ajuda na promoção de novos artistas de hip hop é amplamente reconhecida.
Equivocado e truculento, com certeza. Mas não surpreende, vindo de quem veio: agentes da lei apoiados pela RIAA (órgão representante da indústria fonográfica dos EUA). Gente que não entende o valor do DJ na cadeia da divulgação musical. Para eles, aquilo era uma organização criminosa a serviço da pirataria e pronto.
Já quem trabalha com estilos musicais que servem a pista de dança valoriza demais o trabalho do DJ na hora de lançar um artista ou faixa. Isso rola desde os anos 70, quando Barry White foi pessoalmente entregar um disco de ouro ao DJ Bobby Guttadaro pela sua contribuição no sucesso de "Love's Theme". Estamos falando, afinal, de um universo que lança zilhões de músicas por semana. Ter uma faixa sua ou de seu selo dando as caras num set que muita gente pode ouvir é um privilégio.
Óbvio ou não é? Mas tem gente que não vê as coisas assim. Gente de quem eu esperava mais esperteza.
STRICTLY FALA GROSSO
Estou falando da Strictly Rhythm, um dos maiores selos de house e garage dos anos 90 e que retomou suas atividades ano passado (qualquer DJ com mais de 30 anos tem pelo menos um disco da Strictly na sua coleção). Pois o selo nova-iorquino é terminantemente contra DJs usarem faixas suas em sets online sem autorização. E fala grosso quando trata do assunto.
Foi o que fizeram com o blog Tape Club (aliás, excelente blog, frequente que vale).
O Tape Club postou um set do DJ Tony Lionni e lá pelas tantas aparece a faixa "My Reflection", de Osunlade, lançada em janeiro desse ano. A música está mixada, ou seja, não aparece inteira, e a qualidade do arquivo é de 160 kbps.
Um belo dia chegou um email da Strictly pedindo que o set fosse removido. O motivo: uma música do selo foi usada sem permissão. "Não permitimos que nossa música seja usada dessa maneira", bufaram.
PURA IGNORÂNCIA
Para a Strictly, o fato da música estar ali no set vai fazer pessoas deixarem de comprá-la. A impressão que dá é que a Strictly Rhythm não conhece seu público-alvo principal, os DJs. Estes profissionais costumam ter, entre seus hábitos, os seguintes: quando pesquisam música, ouvem sets de colegas em busca de novidades; e, entre aqueles que tocam arquivos MP3, preferem tocar músicas de 192 kbps para cima.
Richard Carnage, do Tape Club, bem que tentou fazer a Strictly enxergar isso em sua resposta ao selo.
"O set foi feito por um artista que está feliz em promover esse disco para vocês, que está mixado e em 160 kbps. Espero que está não seja uma resposta automática porque se você olhar no nosso site, verá que não disponibilizamos faixas individuais e tentamos levar as pessoas a realmente comprarem a música e, de preferência, mantendo vivo o mercado de dance music em vinil."
A tréplica veio com uma mão mais pesada que o bumbo do Pet Duo.
"Não permitimos que nossa música seja usada DE NENHUMA FORMA sem nossa permissão. PARTICULARMENTE se alguém, por conta própria, resolve dá-la de graça. 160kbps é uma qualidade mais alta do que o que vende o iTunes. Não entendo como você pode pensar que isso nos ajuda.
Favor remover imediatamente todo o conteúdo da Strictly."
Você não ouviu errado, não: a Strictly Rhythm não "permite" que se use sua música em sets que vão para a rede.
Realmente, é difícil imaginar como um selo independente de música eletrônica, lançador de vinil, espera atingir seu público-alvo (que, na era digital, pode estar em Vancouver ou Vladivostok) sem a ajuda de sets de DJs.
Pois é, o ícone da dance music renasceu com a cabeça velha. Arquive junto da declaração de Derrick May em seu blog sobre baixar música.
Putz! Putz!




Um dia a gente vai olhar pra trás e, do mesmo modo que hj em dia soa caricato criar leis para proibir carros e proteger a "indústria" dos carroceiros/charreteiros, como aconteceu há séculos atrás, vai soar uma piada toda essa viagem das indústrias em cima do mp3 e arquivos digitais....