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Top 100 Anos 00 2004-2006
20.12.09 22:02


ft_bombando


2004

 

ALTER EGO - ROCKER (Klang Elektronik, 2004)

 

E é aqui que o novo electro atingue seu pico de genialidade. A batida crispada, os sons de rádio sendo sintonizado, os esporros de guitarra e daí, euforia!, o banho sintético analógico. Uma música do tipo "fizeram e jogaram a forma fora". Nada parecido havia sido feito antes. Nada parecido foi feito depois. 

 

ANTHONY ROTHER - PUNKS (Datapunk, 2004)

 

A exaltação das criaturas da noite, que não "vivem na luz do dia", os punks marginalizados é o tema. Chegado num electro seco e sinistro, Rother fez fama com faixas eficientes e os tais "250 kg de equipamento" que levava toda vez que tocava ao vivo.

 

 

JORIS VOORN - INCIDENT (Sino, 2004)

 

O "Diabla" de 2004. Techno percussivo, daqueles que ninguém resiste. E aí chega o break, com um piano assertivo e cheio de sentimento, que o talentoso Joris foi buscar no remix do Underground Resistance para "Colour of Love", do Reese Project.

 

JUSTICE VS SIMIAN - NEVER BE ALONE (Gigolo, 2004)

 

Com vocal que lembrava banda de hard rock dos anos 80 e um jeito melodramático de ser, alguém apostaria que: a) seria um dos maiores hits da década; b) as duas partes envolvidas se tornariam gigantes do electro-pop em poucos anos?

 

LCD SOUNDSYSTEM - DAFT PUNK IS PLAYING IN MY HOUSE (DFA, 2004)

 

Em vias de virar uma das grandes bandas da década, o LCD não dava um passo em falso. Disco-punk, dance-rock, pós-punk groovado, e ainda por cima com letras engracadas, James Murphy e Pat Mahoney merecem toda adulação e confete que ganharam (e ainda ganham).

 

MICHAEL MAYER - LOVEFOOD (Kompakt, 2004)

 

Mayer e seu selo Kompakt já voavam alto em 2004, duas das marcas mais conceituadas da inovação eletrônica na década, arautos da nova pegada do techno.  Na suave "Lovefood", do seu álbum Touch, Mayer traz um lado mais chilled, menos pista e que ajudou a cementar sua reputação de artista inquieto e versátil.

 

MYLO - DROP THE PRESSURE (Breastfed, 2004)

 

2004 foi mesmo um grande ano. Para coroar essa fase próspera, o hit dos hits, que ligou os pontos entre electro, pop e house. Tá certo que foi tocada até não dar mais, mas não deixa que isso prejudique seu julgamento. "Drop The Pressure" é um clássico brilhante.

 

 

NATHAN FAKE - THE SKY WAS PINK (JAMES HOLDEN REMIX) (Border Community, 2004)

 

Nem só de Alemanha vivia o boom do novo minimalismo com batidinhas sujas. Na Inglaterra, um coletivo de excêntricos se formou ao redor do selo Border Community, de James Holden. Na pauta, experimentos com techno, minimal, house, glitchismos, trance, progressivo (o remix de JH tem 9m31s) e aquela névoa "shoegaze" herdada do rock de My Bloody Valentine e Slowdive.

 

PHONIQUE feat DIE EFFEN - THE RED DRESS (Dessous, 2004)

TIEFSCHWARZ & ERIC D'CLARK - BLOW (Gigolo, 2004)

 

"Your area on the dancefloor", dita "Blow". Essa área na verdade não era sua. Em 2004, ela era sim governada pelos irmãos Tiefschwarz, que assinaram coisas poderosas como essa duas músicas aqui.

 

 

2005

 

AME - REJ (Sonar Kollektiv, 2005)

 

Deep house sutil é um pleonasmo. Só que "Rej" consegue ser sutil e ao mesmo tempo se sobressair dos cardumes genéricos de deep sonífero. A culpa é do seu teclado percussivo, reconhecível a quilômetros de distância. E que fazia com que a faixa sentasse no meio de um set de minimal sem o menor problema.

 

BODYROX - YEAH YEAH (D RAMIREZ REMIX) (Eye Industries, 2005)

 

Electro-house que marca o momento em que o gênero comeca a tomar o rumo da bagaceirice. "Yeah Yeah" foi um mega-hit (esqueça a versão original, o que vale é o take de D Ramirez, em sua melhor forma), um dos últimos mega-hits decente do gênero. O riff de synth granulado é matador.

 

DIGITALISM - ZDARLIGHT (Kitsune, 2005)

 

Isso aqui apareceu como quem não queria nada, num vinil com um lado só. Como o Justice já denunciava em "Never Be Alone", tinha gente prestando muita atenção nos baixos synth-funk de Discover, do Daft Punk. E, assim como o Justice, o Digitalism ficou famoso demais. Mas, depois de tantas faixas e remixes, "Zdarlight" continua sendo um de seus momentos mais inspirados.

 

GNARLS BARKLEY - CRAZY (Warner, 2005)

 

Nem se enfiando numa caverna, você conseguia escapar dessa aqui em 2005. Soul moderno, mas que passava ao largo dos chavões R&B/dance/pop que dominaram o cenário mainstream nos últimos 10 anos. O Gnarls sumiu do mundo dos hits depois de "Crazy". Pura injustiça. Eles continuaram fazendo boa e interessante música longe dos holofotes. 

 

THE GOSSIP - STANDING IN THE WAY OF CONTROL (Kill Rock Stars, 2005)

 

Que garganta tem Beth Ditto, coisa de mulher corpulenta, como as divas disco de outros tempos tipo Loleatta Holloway e Martha Wash. A diferença é que Beth e o seu Gossip são brancos, indies e fazem pós-punk dançante. Quando a música tem um funk desse tamanho, alguém liga para esses detalhes?

 

 

HOT CHIP - OVER AND OVER (EMI, 2005)

 

Se os anos 00 assistiram ao triunfo do geek, nada mais justo que uma de suas bandas mais importantes fosse formada por eles. Quando apareceram com essa jóia cheia de firulas analógicas e um groove que de nerd não tinha nada, o mundo se abriu para eles.

 

THE KNIFE - SILENT SHOUT (Rabid, 2005)

ROYKSOPP - WHAT ELSE IS THERE? (TRENTEMOLLER REMIX) (Labels, 2005)

 

Que tal trance sem as batidas bombásticas ao fundo? "Silent Shout" soa como se alguém desenhasse nas teclas do sintetizador uma performance de patinação artística no gelo. Um dos singles que ajudou a colocar uma nova geração de pop eletrônico nórdico no mapa. Pops, sonhadores, eletrônicos, fãs de jogos de luz e sombra e ter alguns esqueletos no armário eram características desses escandinavos.

 

Quanto aos esqueletos do dinamarquês Trentemoller, melhor que fiquem bem guardados. Seu álbum The Last Resort ofereceu uma visão das bizarrices que podem existir ali. Mas ele sabia brincar sem causar susto também. E imagino que, numa pausa entre lavar a louça e fazer o café, correu para o estúdio e montou um dos remixes do ano. 

 

LINDSTROM - I FEEL SPACE (Feedelity, 2005)

 

E a invasão nórdica continuou...

 

Space disco existe, como conceito, desde os tempos de Moroder e Orlando Riva Sound, nos anos 70. Talvez influenciados por visões da aurora boreal, noruegueses como Lindstrom e Prins Thomas trouxeram a ideia para os dias atuais. "I Feel Space" é a música-manifesto dessa onda. 

 

Mas havia muito mais por trás disso. Lindstrom, Prins e Todd Terje trouxeram visibilidade para um movimento muito maior, de trazer sons mais orgânicos, de todos os tipos, de todas as épocas, de volta para as pistas. É a liberdade de poder tocar Rolling Stones ao lado de Faze Action. O que, por falta de nome melhor, passou a se chamar nu disco.

 

M.A.N.D.Y. vs BOOKA SHADE - BODY LANGUAGE (Get Physical, 2005)

 

Música límpida, elegante, o lado sofisticado do electro house. Um hit de proporções planetárias que, ao lado de "Mandarine Girl", firmou o Booka Shade como astros de primeira grandeza dos anos 00

 

OLIVER KOLETZKI - DER MUCKENSCHWARM (Cocoon, 2005)

 

Cheio de ganchos, um digno representante do som que ocupou as pistas a partir de meados da década, desde o inferninho do D-Edge até raves como Tribe e XXXPerience. Que som era esse? Um vira-lata de techno, house, minimal, trance e electro. Foi música que deixou bastante difícil a vida de quem curtia compartimentar a música eletrônica. Para esse imenso meio de campo, que incluia Koletzki, Lutzenkirchen, Vincenzo, John Dahlback, Argy, Gabriel Ananda e muitos outros, a música precisava apenas ser boa para dançar.

 

SKREAM - MIDNIGHT REQUEST LINE (TEMPA, 2005)

 

Dubstep põe o bloco na rua. Trata-se de um gênero mal compreendido e de difícil acesso, mas que recompensa bem o esforço de quem se aventura nele. Como explicou aqui Bruno Belluomini, "Midnight..." tem o status de "primeiro hit do gênero".  Synths gélidos, um clima de solidão e um grave que a caixa do seu computador nunca vai conseguir reproduzir. 

 

TODD TERJE - EURODANS (Full Pupp, 2005)

 

Todd Terje completa a trinca norueugesa discomaníaca essencial ao lado de Lindstrom e Prins Thomas. Terje sempre foi o mais pop do trio. Seu primeiro hit é assimilado sem o menor esforço pelo ouvido e pelos pés... e a vida passa ser maravilhosa. "Mas esse cara quer ser confundido com o Todd Terry [pioneiro da house]?" perguntavam. Alguns anos, edits, remixes e sets imprevisíveis depois (e graças a fraca memória clubber) só se fala em Terje, não em Terry.

 

 

2006

 

ELLEN ALLIEN & APPARAT - JET (Bpitch Control, 2006)

 

Uma ex-alemã ocidental mais um ex-alemão oriental, amantes de grooves tortos, cometem um dos melhores álbuns da década (e não falo só de música eletrônica, não). De Orchestra of Bubbles, "Jet" é uma das que tem mais propulsão para pista. 

 

GABRIEL ANANDA - DOPPELWHIPPER (Platzhirsch Schallplatten, 2006)

GUY GERBER & SHLOMI ABER - AFTER LOVE (Cocoon, 2006)

MARC HOULE - BAY OF FIGS (M_nus, 2006)

 

Diversos tons de grooves minimalistas. Foram estas músicas que botaram esses quatro nomes no hall da fama da pista de dança da segunda metade do milênio.

 

IN FLAGRANTI - BUSINESS ACUMEN (Codek, 2006)

 

Exilados do leste europeu em Nova York, essa dupla é PhD em disco, italo e grooves de tempos remotos. Daí eles pegam todo esse know-how e condensam em produções geniais como essa. A Kitsuné relançou "Business Acumen" em 2008 com remixes, mas o original continuou imbatível.

 

MASON - EXCEEDER (Middle of the Road, 2006)

 

Hit de electro-house logo iria virar coisa pra tocar na Jovem Pan. E é graças a músicas como "Exceeder" que isso foi possível. Mas, tirando toda essa carga de suas costas, não há como negar que seu poder de fogo é devastador.

 

PAUL WOODFORD pres BOBBY PERU - EROTIC DISCOURSE (2020 Vision, 2006)

 

Dos irreverentes Modeselektor ao hiteiro Axwell, o ping pong sintético de "Erotic Discourse" pegou todo mundo de jeito. O equivalente sonoro de uma máquina de pinball, feita para dar tilt na cabeça dos dançarinos.

 

PETER BJORN & JOHN - YOUNG FOLKS (Wichita, 2006)

 

Fofura isso aqui. Saltitante, leve, poderia estar num disco dos Beatles. E o primeiro hit de pista de qualidade a usar um assobio desde "The Whistle Song", do Frankie Knuckles, de 1991.

 

SIMIAN MOBILE DISCO - HUSTLER (Kitsuné, 2006)

 

E o Simian virou Simian Mobile Disco, um liquidificador da história da dance music, com riffs de house clássico, teclados trance, vocais de hip house e truques do electro. Como Daft Punk, Justice e Digitalism, viraram referência de música eletrônica para quem não conhece música eletrônica. E mesmo quem conhece não tem como negar a bacaneza de grooves como esse.


 

Leia mais: 2000-2003, 2007-2009, DJs elegem suas favoritas da década


Camilo Rocha
Camilo Rocha
Putz! Putz!
comentários
6 comentários
Raul Cornejo
Raul Cornejo(26.12.09)
0AprovadoQueima
Huahuahauhauahuahuahuahuhauha, de 2000 a 2004 apenas UMA faixa de D&B? Tsc tsc tsc...
Huanita
Huanita(24.12.09)
1AprovadoQueima
Muito passada pra fazer algum comentário... clap clap clap! :)
gui xavier
gui xavier(23.12.09)
1AprovadoQueima
É gente, uma enorme salva de palmas pro Camilo.

;)
Catarina Liarth
Catarina Liarth(23.12.09)
2AprovadoQueima
Ok. sem chover no molhado: as paisagens musicais e referenciais de lembramças estão BELOS!

Motor
Motor (22.12.09)
3AprovadoQueima
Carálheus flutuantes!
(de cara com o mapeamento musical desse cara)