Bate-Estaca
blog do camilo
faça login para votar!
Enviar esse texto
login para votar!
Enviar esse texto
fãs
rss
Você pode assinar o feed desse blog pra saber assim que ele for atualizado.
Feed 
* copie e cole para assinar com outro reader
social bookmarks
Digg
Mugg
del.icio.us
Add to Technorati Favorites
Bem na foto?
27.10.09 20:41

ft_altern8_951A

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A camiseta foi um hit em 1993/94 na Europa. Lançada pelo então famoso selo Rising High, trazia a inscrição "Faceless Techno Bollocks" ou, numa tradução livre, "Porra de techno sem rosto". Era a clássica tática de inverter uma denominação negativa, transformando-a em afirmação de orgulho. 

 

Sim, nesse tempo o techno, a house, o drum'n'bass e o trance se orgulhavam de não ter rosto, de ser apenas música, música para ser consumida sem que fosse preciso conhecer a cara ou a personalidade ou a roupa Diesel que o produtor tinha.

 

Eram tempos mais ingênuos, mais militantes. Tempos de criar paradigmas para uma música ainda com cheiro de tinta fresca que fossem totalmente opostos ao culto à personalidade que imperava no pop e no rock. Ninguém sabia quem era Aphex Twin ou Altern 8 (na foto), demorou anos até se conhecer a cara dos Daft Punk.

 

O DJ Mr. C relembrou essa época ao promover esses dias o lançamento de seu antigo selo, Plink Plonk, no Beatport. Ele exigia que artistas lançando pelo Plink Plonk não usassem seu nome  verdadeiro. "Queria que a música fosse a razão de tudo, e não o hype. Você pode fazer música incrível. Mas se não for um nome reconhecível, ela não registra no radar."

 

Impossível que essa pureza de princípios sobrevivesse à popularização e a necessidade que temos de ter ídolos e heróis. E então vieram Prodigy, Chemicals e cia., convertendo eletrônica em moeda pop/rock. Vieram as grandes gravadoras, as revistas e publicações e sua procura por imagens. Vieram os DJs superstars.

 

Era só o começo do processo. Nos anos 00, a cultura da imagem e do ego explodiu como nunca, alavancada pelo culto às celebridades, as câmeras digitais acessíveis e a internet.

 

Quando olho as milhares de páginas de produtores no Beatport, fico pensando: se existe alguma originalidade aqui ela deve estar apenas na música. Está certo que a velha imagem do fone caiu em desuso, mas será que ninguém consegue ir além de usar a própria foto como imagem? O que aconteceu com máscaras, fantasias, símbolos, ilustrações, efeitos nas fotos? Não há mais nenhum mistério na imagem de quem faz música eletrônica. O efeito final é genérico. Não se diferencia quase ninguém. Ironicamente, ficou tudo sem rosto outra vez, só que pelo caminho inverso.

 

Simbólico também estarmos fechando a década com o "sucesso" do DJ Jesus Luz, que virou a fórmula do avesso: 100% imagem, 0% música. É claro que ele não é o primeiro DJ celebridade, a década foi farta deles, mas pelo que me lembro nenhum realmente acreditava ou tentava passar recibo como DJ de verdade. Jesus Luz não. Esse se leva a sério, acredita que seu som "tem poder", como expressou numa camiseta. 

 

É a cara dos nossos tempos. Vai longe esse menino!


Camilo Rocha
Camilo Rocha
Putz! Putz!
comentários
23 comentários
Fabio Martins
Fabio Martins(30.10.09)
0AprovadoQueima
Eu lembro que no auge desta época aí vieram para o Brasil o Altern 8 (bombando) e um semi-desconhecido Moby. Sobre o excesso e exposição vs. falta de identidade própria dos tempos atuais, acredito que seja um sintoma comum em qualuer cena que um dia foi underground e se tornou parte do mainstream. Com o punk foi assim, heavy metal idem e por aí vai. Mas que na música eletrônica está demorando para (res)surgir um levante underground com ou sem rosto mas com postura desafiadora, ah, isso tá demorando sim.
pablo
pablo(29.10.09)
0AprovadoQueima
isso mesmo hj em dia , os musicos fazem foto como modelos ... hahahhhahahha mas pior que isso sao os que viram dj só pra mstrar a cara !!! ahahahahaaahaha so tem comedia !!! eu me divirto com os mane !!
VJ_TcheLo
VJ_TcheLo(29.10.09)
1AprovadoQueima
tempos romanticos Mr. Camilo !!!
J.R. Menezes
J.R. Menezes(29.10.09)
0AprovadoQueima
Chega a ser deprimente. Acredito que música vai muito além da música, mas esse além com certeza não é uma imagem ou nome famoso totalmente distorcidos por gravadoras e a quem possa interessar. Gosto da mistura de música e atitude, uma coisa meio punk que a música eletrônica já conheceu, mas assim como o rock, perdeu em alguma década passada.
FredFX
FredFX(28.10.09)
1AprovadoQueima
aplicaram a logistica das boy bands no mundo da musica eletronica