Acaba de chegar de Cuiabá uma notícia assustadora. É o tipo de coisa que estabelece um péssimo e perigoso precedente.
Tudo começa sexta passada (16), com a polícia dando uma blitz na boate cuiabana Lotus para averiguar denúncias de irregularidades na segurança da casa. Aparentemente, até aí nada de anormal.
O problema é que, no meio da operação, resolveram apreender o case de CDs do DJ Elton Cotrin (ainda não-identificado), alegando que eram todos piratas. Está no site Olhar Direto, de Cuiabá:
"O delegado contou que uma pasta com os CD`s do DJ foi apreendida por pirataria. Apesar da justificativa de Karina Nogueira [promoter da Lotus] que os CD`s são usados para mixar as músicas e não estavam sendo comercializados na boate, o delegado contrapôs e justificou a ação. "Se você baixa uma música na internet sem o pagamento de direitos autorais para o autor você sabe que está infringindo a lei, além disso a música estava sendo tocada na boate para fins comerciais o que caracteriza o uso indevido de propriedade intelectual".
Ao crime de pirataria cabe a condenação de dois a quatro anos, mesmo assim, o delegado optou por não autuar o DJ e nem mesmo a boate, mas adiantou que é de responsabilidade da casa tudo que acontece no local."
IGNORÂNCIA
Que as músicas pudessem ter sido compradas em lojas virtuais como Juno e Beatport, ganhas como itens promocionais, conseguidads em download gratuito ou ainda serem material não-lançado cedido por algum produtor amigo do DJ, não ocorreu ao delegado. E, considerando a ignorância de tantas autoridades nesse assunto, nem tinha como ocorrer mesmo.
Leia aqui a íntegra da notícia.
Tá cheio de gente nesse país sedenta por cair com tudo em cima da cultura do download. Vide o projeto do senador Eduardo Azeredo (PSDB), que acabou até voltando atrás depois de críticas, até do presidente Lula. Vide o caso do juiz paranaense que condenou um site só porque ele continha links para baixar software de P2P (compartilhamento de arquivos).
Agora apreender case de DJ com a acusação de que todo material é pirata, como fazem em alguns países da Europa, eu ainda não tinha ouvido falar não.
Obrigado a Gabriel Lucas pelo toque da notícia. Gabriel e seu parceiro Daniel Soares publicaram a notícia no seu blog Factóide.
UPDATE
(texto mais atualizado que fiz para o Virgula, em co-autoria com Daniel Carmona)
DJ residente da Club Lotus, uma das principais casas noturnas de Cuiabá (MT), Elton Cotrin teve o laptop, a pasta de CDs e hardware da marca Serato apreendidas por agentes da Polícia Federal enquanto discotecava sob acusação de estar usando material pirata.
A polícia mandou parar o som e acender as luzes. Em seguida, o DJ foi levado de camburão para a delegacia. O fato aconteceu por volta da 1h do último sábado (17).
É a primeira vez no Brasil que se tem notícia deste tipo de ocorrência. Já em países europeus como Itália e Portugal, há vários registros de ações semelhantes da polícia.
Os agentes federais teriam ido ao local para averiguar as condições da segurança, mas aproveitaram a ocasião e abordaram o DJ, recolhendo o material por supostas irregularidades. Também foram para a delegacia o dono do clube, seguranças e um funcionário do caixa, todos de camburão, cena presenciada por centenas de pessoas que se aglomeravam na porta da Lotus.
Segundo justificou o delegado Erick Blatt ao site Olhar Direto, "se você baixa uma música na internet sem o pagamento de direitos autorais para o autor você sabe que está infringindo a lei, além disso a música estava sendo tocada na boate para fins comerciais o que caracteriza o uso indevido de propriedade intelectual".
Karina Nogueira, promoter do Club Lotus, disse que os agentes não fizeram nenhuma verificação para saber se o material do DJ estava de acordo com a lei. "Eles apreenderam tudo e acabaram com a festa".
Procurado pela reportagem, o delegado Erick Blatt disse que o material de Elton Cotrin não foi apreendido, mas sim retirado do local e encaminhado para a sede da PF junto com seu proprietário.
Em entrevista ao Virgula, o DJ contou que ouviu na delegacia que "se for para falar que você baixa música ilegalmente, a gente vai ser obrigado a apreender todo material, fazer perícia, porque é pirataria."
Cotrin garantiu ao delegado, e confirmou na entrevista, que todo o seu material de trabalho está dentro da lei. "Compro minhas músicas em lojas virtuais como Beatport e também têm várias faixas que são produções de minha autoria", disse.
Segundo disse ainda, o delegado nem esperou que terminasse sua explicação e o dispensou porque "o problema não é com você e sim com a casa noturna". O DJ foi liberado, mas seu material ficou retido até o dia seguinte.
Putz! Putz!





Estão a trabalho da ideologia que as gravadoras difundiram no mundo. Até produções musicais independentes eles queriam colocar como pirataria no começo. Isso se chama medo, medo de uma indústria que não evoluiu com o resto do mundo, que se vê cercada de criatividade e tecnologia ao alcance de todos. Onde não precisamos de uma gravadora que toma o dinheiro dos verdadeiros artistas e diz que nós somos culpados de um cd nacional custar R$ 20, R$ 30, R$ 40. Aliados ao governo que taxa equipamentos que não são fabricados aqui, em um protencionismo falso.
Pergunte quantos artistas tem seu próprio home studio e quantos deles ficam felizes em que suas músicas toquem na noite.
País miserável esse nosso, mas nesse aspecto, copiamos os de 1º mundo. Essa ignorância é global.
Bem, qual a opção agora? Só produções próprias?
Me admira mesmo é "mashuparada" e "bootleguada" dos produtores aí que produzem em cima de sucessos prontos e estabelecidos e saem "lançando" descompensadamente suas "obras-primas", tão vangloriadas pelos jovens, mas que não passam de retitulações um pouco mais histéricas SEM REFERÊNCIAS AOS VERDADEIROS CRIADORES...
Tem uma coisa que não fecha: Qual o desinteresse do dono da música na não-execução de sua "track" por um DJ? O que mais se vê por aí é release de produtor referenciando os DJs que tocam suas músicas...
Tá difícil assim, povo desinformado, se valendo da farda pra impor sua masculinidade, acreditando estar fazendo o bem, mas que na verdade só ajuda a sujar ainda mais o entretenimento do povo.
Vou voltar a jogar bola na praça... Tá bem ruimmmmm!!!!
exatamente o q eu ia colocar
eu toco em vinil tb mas o que adianta, praticamente todos veem escrito q é proibida a execucao publica, aquela velha historia..
se o cara quiser levar o case de vinil por uso indevido, aih da pra chorar
mas sinceramente, que guardinha safado, queria usar o poder em excesso certamente por disfuncoes psicologicas... ou precisava de cds novos no carro e teve uma otima ideia!
boa materia
http://www.prsformusic.com/users/musicforproducts/Pages/ProDubLicence.aspx
Vale acompanhar o caso.