Lá pelo meio dos anos 90, o veterano DJ londrino Mr. C (na foto ao lado) inventou um novo termo musical: tech-house.
"O tech-house é o último bastião da cultura acid house. A vibe toda é sobre algo novo, algo inovador, um pouco eletrônico, novos sons, novas sensações, tudo é possível. Não existem fronteiras. Isso é que é bom no gênero tech-house. Ele pode ser hard techno. Ele pode ser breaks. Ele pode ser electro", disse Mr. C numa entrevista em 2000.
Nos dias de hoje, o termo "tech-house" está na boca do povo como nunca esteve. Sim, porque tech-house pode ser antigo, mas ele nunca foi gênero "de massa". Sempre comeu pelas beiradas.
Só que o contexto é outro: tech-house é usado como grife mais do que como um manifesto ou conceito. Do mesmo jeito que se usava "electro" há alguns anos para tudo que era menos "bombator" e de BPM mais baixo, posto depois ocupado pelo termo "minimal", o lance agora é chamar tudo de "tech-house".
AR DE CONHECIMENTO?
Acho engraçado ouvir as pessoas falando tanto em "tech-house" pra cima e pra baixo, com convicção e ar de conhecimento. Eu, por exemplo, tenho muitas dificuldades em dizer com confiança onde começa e onde termina o "tech-house".
A prova é a seguinte: tente explicar o que é tech-house para alguém com conhecimento superficial de música eletrônica. Meus pais, por exemplo, ou algum amigo fã de rock. Eu consigo explicar para eles o techno. Consigo definir house. Breakbeat e trance, moleza. Agora tech-house é complicado.
Para quem está por dentro da música eletrônica, beleza. Eu diria algo mais ou menos assim: "BPMs na casa dos 130, groove retilíneo e vigoroso, adereços melódicos contidos, influências discretas de techno de Detroit, soul, jazz e eletrônica vintage, uma levada contínua sem grandes picos ou explosões."
Antigamente, eram discos como "Free At Last", do Simon, ou "Future", do Halo Varga. Boa parte das faixas do Circulation, Halo Varga, Terry Francis, Terry Lee Brown Jr., Layo & Bushwacka, Get Fucked, Azad Rizvi, entre outros. Hoje, citaria músicas de nomes como Guillaume & the Coutu Dumonts, Jamie Jones, The Mole, Seth Troxler, DJ T, Nick Curly, Simon Baker e John Tejada.
Mesmo assim, como ficam tantas faixas de house com alguns detalhes mais "techno". Ou tantos techno com uma pegada mais "house". Ou músicas de "prog" que tem um ritmo menos, erm, progressivo e uma leve influência de Detroit. Ou "Amelie", do Butch, no famoso remix do Format B. E o tal do "fidget house" não é também meio que um house "tech"?
Tech-house fase 2009 é a prova definitiva de como as etiquetas de gênero, tão caros à música eletrônica, se mesclaram e diluiram a ponto de não quererem dizer mais nada.
Então, para simplificar, acho que fica mais fácil fazer como todo mundo está fazendo: é tudo "tech-house", "O Som das Pistas Eletrônicas do Momento".
U-hu!
TECH-HOUSE ONTEM
Get Fucked - De Icing
Halo Varga - Future
Simon - Free At Last
Circulation - Red (A)
TECH-HOUSE HOJE
Sety - Mogane (Guillaume & The Coutu Dumonts remix)
Seth Troxler - The Student (Seth Troxler remix)
Jamie Jones & Simon Baker - Kaskazi (Original Mix)
Nick Curly - Say Something
Putz! Putz!




Foda a coluna Camilo, desse novo 'tech-house' cito tb d'julz, nima gorji, Chaim. Foda, circulation rolou nos decks de 9 de 10 djs que diziam tocar house e tech-house na virada do milenio.
abraços
Preferia ter ficado com a sua imagem e som do auge de carreira. Ele como DJ em 2006 me pareceu um grande jogador aposentado tentando lugar em time grande.
Fala, Camilo.
Tenho orgulho de frequentar guetos esclarecidos formado por pessoas que viveram intensamente a fase "classica" do tech house.
Por isso pergunto se é bom ou ruim essa banalização do termo, pois provavelmente causará confusão na cabeça das pessoas e muita musica de gosto duvidoso. Já vemos muitos DJs que até ontem tocavam "minimal", passando para o house. Nada contra, desde que não priorizem a farofada.
Digão, tudo bem?
Acho que muitas produções atuais bebem sim do tech house ingles. Além dele, vejo muita inspiração no techno e no deep house detroitiano e as primeiras gerações do deep house de chicago. Na verdade rola muita cópia descarada, com um ximbal a menos e uns clicks a mais.
Mas tb não sei o que andam chamando de tech house por aí. As vezes estou imaginando as musicas do meu hd e vocês as que tocam nos clubes.
abraços
O interessante é perceber que rola uma rixa, muitos djs que moram em Berlim falam publicamente, nao gosto do que essa galera de Frankfurt vem fazendo com a musica e vice versa, o pessoal de Frankfurt ficou de saco cheio do que tava vindo de Berlim. O que importa é que daqui 2 anos quando tudo isso estiver bem digerido, vamos continuar tocando house e techno e colocando o techouse de frankfurt, o techno de berlim, o house das Guianas Francesas...e TUDO vai continuar sendo house e techno. :)
Fala Brunão, seguinte, a intenção não é ser segregadora mas sim referencial a uma região, assim como Detroit, NY, Chicago, Berlim foram para seus respectivos gêneros. Querendo ou não quem mexeu a bunda pra começar fazer algo diferente do minimal plick plack foi a turma do Jamie Jones, Johnny D, Nick Curly, pessoal da Oslo, Cecile, 8Bit, Safari Eletronique, Tsuba, Sushitec...que apesar de hoje esse pessoal ja ter caido na boca e no case de todo mundo, foram eles que romperam a barreira. Pega os primeiros releases desses selos que sao relativamente novos, eles ja estavam fazendo isso 3 anos atras. - E a turminha toda é de Frankfurt/Manhein. Foi quase uma resposta natural pra oq emergia de Berlin.
O techouse de 99/2000 todo mundo sabe que não é da Inglaterra, mas ficou marcado por Terry Francis, Richard Grey, Colin Dale, Mr.C, Eddie Richards, Nathan Coles, Pure Science, etc... querendo ou não todo mundo se refere (no Brasil e no mundo) como a epoca do techouse inglês.