Bate-Estaca
blog do camilo
faça login para votar!
Enviar esse texto
login para votar!
Enviar esse texto
fãs
rss
Você pode assinar o feed desse blog pra saber assim que ele for atualizado.
Feed 
* copie e cole para assinar com outro reader
social bookmarks
Digg
Mugg
del.icio.us
Add to Technorati Favorites
Música eletrônica é pra quem pode! Parte 2
29.01.09 19:36

(Leia a primeira parte deste post no blog da Clau)

 

Nada melhor para simbolizar essa Era do Dinheiro do que a cena a seguir, presenciada no cercado VIP de um clubão vistoso de Jurerê Internacional, em Florianópolis: rapaz bem-nascidíssimo, a família é uma das grandes fortunas de Santa Catarina, chacoalha um champanhe de R$ 5 mil. Enquanto espirra o valioso líquido pra cima, grita, com um sorrisão debochado na cara: "A crise não me afeta, a crise não me afeta".

 

Esse é só um exemplo, extremo sim, mas não incomum, de um novo conjunto de valores e práticas cada vez mais associados à música eletrônica. Na nova Era do Dinheiro, ninguém liga para underground, qualquer gota de subversão e idealismo foi eliminada e o bacana é ser PVT, exclusivo, "para poucos", selecionado, festas "só com gente bonita".

 

Sabemos que ostentação anda de mãos dadas com música eletrônica desde o auge dos super-clubes e de festas jet-setters em Ibiza lá nos anos 90. Mas sempre foi, Brasil incluso, umas das várias facetas de um universo que sempre carregou no peito a estampa da diversidade e da junção de tribos. Mas hoje parece que, na maioria dos lugares no Brasil, esta faceta que veste Prada foi a única que sobrou!

 

Parece óbvio que esse culto ao materialismo tem muito a ver com o momento que o Brasil viveu nos últimos três anos, de aumento da classe média (passou de 50% da população) e milhões de pessoas finalmente podendo comprar carro zero, computador, roupa na Oscar Freire e TV de Plasma. Justo, justíssimo! Que todos um dia possam fazê-lo neste país.

 

O problema é quando tudo isso passa a ser a coisa mais importante da vida, quando a vontade de adquirir se torna idolatria por objetos de luxo e grifes. Tem um comercial aí que fala de uma promoção onde o prêmio é uma TV de plasma. E o anúncio não mostra um cara beijando e acariciando uma TV de plasma?

 

Pois é, mas a grande realidade é que a crise está aí sim e, apesar de o Brasil ainda não ter sido pego em cheio (mas tudo indica que vai), pode ser que daqui a alguns meses, ela esteja afetando muito mais gente. Inclusive aqueles que hoje se acham (e andam) blindados.

 

Trazendo o "problema" para o universo da noite, mais especificamente o da música eletrônica: se hoje, o cercadinho VIP e o champanhe na mão valem mais do que o calor da pista de dança e as novidades que saem incessantes do case do DJ, tem alguma coisa muito podre no reino da Daslulândia. Em tempos de aquecimento global e crise, rasgar dinheiro deixou de ser coisa de louco. É que os cafonas também adoram!


Camilo Rocha
Camilo Rocha
Putz! Putz!
comentários
59 comentários
Tati Oldfield
Tati Oldfield(01.03.09)
1AprovadoQueima
Essa balada que o Pedro comentou é o Pink Elephant. Ali é desfile de moda e de quem pode mais.
Pedro Cunha
Pedro Cunha(11.02.09)
1AprovadoQueima
O nome é rosa e não cabe numa sala!
Renato Weiss
Renato Weiss(10.02.09)
1AprovadoQueima
@Pedro Cunha - Tá de sacanagem!!! Me diz o nome desse lugar vai?! Huhauhaa!!!
Pedro Cunha
Pedro Cunha(03.02.09)
5AprovadoQueima
Para o desespero de todos(?), essa onda aristocrática que invade a eletrônica piora a qualidade da música, mas olhem que ela também provoca muitas risadas. Eis que ouço que uma nova balada em São Paulo cujo nome prefiro não dizer pra evitar propaganda vende uma garrafa de champanhe gigante, que quando comprada, o dj pára(!) a música e entra com um sample de STAR WARS ou SUPER HOMEM. Os seguranças de terno branco carregam a garrafa até os mais incríveis da noite e o evento sai pela bagatela de R$2.800,00. E lá tocam dj's como Alê Reis. Pra mim lá dj nenhum toca, é meramente comprado.
charly
charly(02.02.09)
1AprovadoQueima
como diria a Flora, em tom de desgosto: "classe mééédia!!!!"