Bogotá criativa e irreverente cria bandas low-tech incríveis.
Antes de conseguir fazer qualquer entrevista com os artistas que vou mostrar aqui, já quis subir um post com cara de guia para uma "cena" bem específica de Bogotá na Colômbia. Primeiro por ansiedade (estou que nem essa loura Ataque-Ataque), segundo porque Bogotá é talvez a metrópole latino-americana mais legal atualmente para quem gosta de arte contemporânea. São poucos os artistas jovens que me empolgam mais que a Adriana Salazar e Ícaro Zorbar. Isso já é um bom sinal (para os cool-hunters de plantão) de que Bogotá pode ficar na moda, assim como Buenos Aires e São Paulo ficaram.
Algo como uma cena bem estabelecida de música "low-tech" colombiana talvez não exista. Mas esse grupo de artistas (todos amiguinhos de MySpace),faz um som que pode ser classificado assim. São canções simples, econômicas, mas com lindos timbres acústicos misturados com barulhinhos eletrônicos tipo CASIO, sintetizadores bobos que mostram o gestual de quem toca e uma certa melancolia dark. Um new-weird-latin-america.
Las Malas Amistades seria talvez o pioneiro dessa geração colombiana moderninha e já lança as bases do micro-gênero. Os três estudantes de arte em Bogotá se reuniam semanalmente para fazer uma música "criada no vácuo", sem ensaios, sem repetições ou trejeitos. Assim, revelaram uma estética espontânea, sentimental/inteligente e semi-naïf.
Só é uma pena que os Las Malas Amistades tocam pouquíssimo ao vivo já que um dos membros é "tímido demais" segundo o site do LMA, e outro mora em Nova Iorque. Mas vale a pena ouvir todos os álbuns que o trio disponibilizou em seu site, que são de uma sensibilidade e bom-gosto impressionantes.
Um dos membros do LMA, criou um interessante projeto paralelo chamado Chúsmica:
Manuel Kalmanovitz Gonzalez e a moça que canta ali em cima chamada Natalia (não revela sobrenome) conheceram-se em Bogotá e circulam pela Colômbia, Montreal e Nova Iorque tocando seu som pequenininho e inteligente. Vale a pena ouvir as faixas em seu MySpace, que unem a voz expressiva e grave de Manuel com os charminhos de Natalia.
Outra dupla colombiana - agora de meninos - é a divertidíssima TAMAL. Dois meninos magrelos de aparência nerd que sabiam tocar sintetizadores se juntaram para fazer releituras do reggaeton. Como é de se esperar, sua música acaba passando uma certa ironia nostálgica, mas (felizmente) sem nenhum ranço retrô. Veja se isso é ou não é low-tech:
Depois de tanta latinidade, você deve estar se perguntando o que eu quis dizer com "dark" no começo desse post. Bom, o som da dupla Mugre pode nos mostrar um pouco da pegada sombria dessa micro-cena.
Assim como Las Malas Amistades, os Mugre são artistas visuais. Carlos Bonil, que compõe a dupla junto com German Bonil, chegou até a participar da seleção Younger Than Jesus, uma das principais exposições de arte contemporânea jovem do mundo. O aspecto "dark" na música de Mugre (que também aparece com frequência nas obras de Carlos), aparece carregado de ironia, assim como o reggaeton de Tamal ou os tecladinhos do Las Malas Amistades:
Auto-denominando-se "bedroom band", Mugre é consideravelmente produtiva com quatro álbuns gravados desde 2005, que segundo o MySpace dos garotos, estão todos esgotados. Vamos levar em conta que a tiragem desses álbuns não deve ter sido das maiores.
Aqui vejo um problema: a empolgante criatividade dos jovens de Bogotá no entanto, é muito difícil de ser acessada, com exceção do Las Malas Amistades. Essa é minha crítica aos grupos "low-tech" que acabo de mostrar aqui; não há como baixar as músicas, comprar ou consumir de qualquer outra forma fora do MySpace. Poucos deles têm vídeos ou sites que passem mais informações sobre as atividades atuais.
Entendo bem que todo esse mistério e despretensão à volta das bandas é um elemento importante para se criar a aura "cool" de seu trabalho musical. Ao mesmo tempo, uma auto-promoção um pouco menos anti-mercado seria incrível para os hermanos aqui entenderem melhor o que está empolgando a juventude criativa da incrível Colômbia.




