Ikonika e Cooly G colorem selo londrino Hyperdub com ótimos climas e batidas
Kode9, The Bug, Burial, Mala, Zomby e King Midas Sound têm pelo menos duas coisas em comum: são produtores que foram consagrados no selo Hyperdub e são todos homens.
A presença masculina nas áreas de produção de música eletrônica e principalmente nos estilos ligados ao grime, 2-step e dubstep não é nenhuma surpresa e já nos acostumamos. Parece até que foi feito para ser assim.
A boa notícia é que o selo Hyperdub, fundado e administrado pelo escocês Kode9 está investindo em duas jovens produtoras: Cooly G, que já havia anunciado na mídia no primeiro semestre que iria trabalhar com o selo e logo depois lançou lá seu primeiro EP "Narst/Love Dub", e Ikonika, que acaba de lançar mais um EP ("Sahara Michael/Fish") pelo Hyperdub.
Cooly G, em todas as matérias em que aparece, faz questão de mostrar que sabe o que está fazendo (e bem). Seu tech-house com inspirações do dubstep e 2-step têm linhas de sua própria voz, além de ser totalmente programado e produzido por ela. A produtora de 27 anos que cresceu em Brixton sempre se gaba de seu conhecimento técnico e sua capacidade. Manobra estratégica? Sim e reconhecida. Ela até já ministrou um curso de música e tecnologia em uma faculdade inglesa depois de gravar diversos artistas do início da cena grime.
Faixa do primeiro EP lançado pelo Hyperdub:
A londrina Ikonika (a.k.a Sara Abdel-Hamid) utiliza o esqueleto do dubstep e faz um belo trabalho de timbres, harmonias e melodias, que às vezes parecem feitos de bleeps meio instáveis, meio derretidos. A menina com seu talento caiu nas graças de Kode9 em 2007 e agora da revista britânica The WIRE. Parece um ótimo começo, não?
Ikonika está preparando seu primeiro álbum que sai em 2010 e torce o nariz quando lhe perguntam sobre ser mulher no meio da cena "cueca"do dubstep. Ela diz que comparado ao metal, gênero que adora desde a adolescência, o dubstep é "um ursinho de pelúcia" e que não pensa nisso quando compõe suas faixas.
Mesmo que Ikonika evite essa discussão e Cooly G a utilize em seu favor, será muito legal ver essas meninas fazendo alguma diferença na cena. O documentário Dub Echoes do brasileiro Bruno Natal, apesar de ter conseguido (quase heroicamente) reunir pessoas-chave para falar do nascimento e consolidação do dub, não mostra uma mulher sequer para contar a história do gênero. O trailler já mostra o drama:
Tomara que com a história do dubstep seja diferente.






Flws
Pra entender melhor, vale a leitura da matéria da xlr8r sobre o termo.
http://www.xlr8r.com/features/2009/09/mutant-funk
Gostei da sua matéria. Só poderia ter evitado "O trailer já mostra o drama".
Olha, as mulheres podem ocupar todos os setores da cultura e produzir coisas incríveis. Precisamos, no entanto, admitir que no dub a participação delas foi inexistente. Eu pelo menos estou aqui puxando pela minha memória e não estou conseguindo me lembrar de nenhuma.
Acho melhor perguntarmos pro Bruno por que ele não colocou nenhuma mulher no documentário. Resolvermos esse drama.