Da música à moda, o heavy metal surge reinterpretado
Como metaleira de coração, esse post me dá uma certa consciência pesada. Gastei finais de semana demais durante a adolescência na Galeria do Rock odiando posers, trocando tablaturas de bandas com os amigos e criticando tudo que não era o "verdadeiro metal". Águas passadas. Depois de um tempo, o mundo metaleiro passou a ser sufocante.
Mas ultimamente para minha surpresa, parece que o estilão metaleiro está voltando na música, na moda, nos assuntos. Enfim, parece que o metal voltou a receber atenção e um certo hype nas capitais.
Um trabalho emblemático dessa volta triunfante é o incrível livro de fotos "True Norwegian Black Metal" do fotógrafo Peter Beste, lançado no primeiro semestre. O livro recebeu reviews acalorados ao redor do mundo, esgotou nos primeiros meses de venda e demorou a chegar aqui em casa. O livro mostra fotos membros de bandas, fãs e shows da cena de black metal na Noruega, um dos estilos mais agressivos e polêmicos que já apareceram no metal.
O black metal tem regras muito bem definidas. É quase atonal, as guitarras e baixos são ultra-distorcidos e a bateria é veloz, quase sobre-humana. Ideologicamente, é contra o cristianismo e a favor das tradições "pagãs". Quase todos os clipes tem uma característica desconcertante de serem filmados em florestas e pedreiras.
Um estilo homogêneo como esse é um material incrível para desconstruir. É o que fizeram os americanos do grupo Sunn O))) (pronuncia-se somente "sun").
Os americanos de Seattle fazem uma espécie de meta-metal, explorando sonoridades e timbres do black metal com o dark ambient, drone music e noise. A performance também impressiona, com muita fumaça artificial, capas tipo monge misteriosas e locais conceituais como uma igreja na Bulgária.
Sunn O))) é talvez a banda que mais defina essa onda reinterpretativa do metal na música. Mas junto com ela, vêm outras bandas recentes como Kylesa de Savannah, Georgia:
E Boris de Tóquio:
Nova Iorque está abrigando essa onda muito bem em clubes e casas de show como ABC no Rio, Irving Plaza, Europa Club e The Charleston. É cada vez mais comum ver noites dedicadas a bandas de metal nesses lugares. O público varia e abrange também a classe hipster, sempre louca por horizontes menos colonizados pela mídia, o que contraditoriamente faz com que as novidades sejam rapidamente difundidas, gastas e logo depois odiadas pelas mesmas pessoas que as hyparam.
Um sintoma disso é como a moda acompanha essa cena (ou talvez como essa cena acompanha a moda). Veja como a it girl Alice Dellal sintetiza essa tendência:
Blogs como Glamour Paraguaio estão dando uma atenção especial a essa tendência e fazendo uma bela compilação de fotos de belas na rua e editoriais de moda lotados de tachas, couro, correntes e jeans rasgado:
Difícil é saber como essa tendência irá pegar, se vai se espalhar e quanto tempo irá durar. O que é interessante - pensando como metaleira de coração - é como a mídia, a moda e a música conseguiram criar uma perspectiva em relação ao heavy metal para se apropriar dele e expandir suas duras estruturas estéticas, mesmo que seja só pelo hype.











menos com a parte dos 12 aos 15 - metal depois dos 11 já é meio preocupante...
Pelo menos no concernente a música. Falar d Black Metal, - em sua mais pesada e singular aparição - no caso o norueguês, foi acertar em cheio a segunda parte da resenha c/ um chute nos c...s! LINDO, LINDO! Ah, e ainda teve um pouquinho de Dark Ambient e Drone. Digníssimo! =D
quando as pessoas vão ter personalidade e usar o que realmente gostam ao invés de seguir a manada? modismo demonstra falta de personalidade. "ah, tão usando muito isso"
se algum figurino aí de cima é esteticamente apreciável para alguém, que não inserido num contexto de halloween... it's a bad dream. wake up people!