Com cada vez mais eventos de arte&tecnologia no Brasil e no mundo, parece que estamos nos acostumando com aquela estética digital que quer ser auto-suficiente, quer poder fazer tudo, controlar tudo, interagir com todos.
Exposições como "The Generational: Younger than Jesus" em NYC já chamaram atenção para uma nova geração de artistas que utilizam novas mídas com ceticismo e sarcasmo; de modo a revelar aspectos mais interessantes da tecnologia do que...a tecnologia por ela mesma. Esses artistas comportam-se mais como arqueólogos e críticos do que como programadores e arquitetos e suas obras distinguem-se por um desencantamento em relação à "mágica" das ferramentas tecnológicas.
A música experimental obviamente tem preocupações e desenvolvimentos muito diferentes dos das artes visuais. No entanto, é também possível encontrar artistas que trazem essas novas questões no plano sonoro. Uma das bandas mais interessantes nesse caminho é o MoHa! que lançou há pouco tempo o vinil 10" Tape That Split (Gaffer Records).
Noruegueses morando em Berlim, MoHa! é um duo formando por Morten J. Olsen e Anders Hana, que faz algo como um "sonic splatter" : um som pesado, percussivo, cheio de texturas histéricas e movimentos matemáticos. Seus instrumentos são bateria, synths, algorítmos feitos no SuperCollider e uma guitarra ligada em uma bela pedaleira analógica. O resultado dessa mistura é como se o heavy metal tivesse evoluído da música concreta:
A performance ao vivo não fica para trás, aliás, faz parte da estética digital splatter do MoHa! Grandes bulbos de luz branca substituem a iluminação de palco e um holofote pisca em momentos precisos, na cara das pessoas.
MoHa! é um sintoma otimista de que a arte e a música já estão começando a se sentir a vontade para dominar a tecnologia com uma proposta artística de desmonte; de quebradeira daqueles "blocos inteiros e bem acabados" atrás dos quais as novas mídias se protegem.





